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Contas externas registram superávit de US$ 789 milhões em março

BRASÍLIA - A aceleração do crescimento econômico começa a dar sinais mais consistentes nas do país. O brasileiro passou a consumir mais produtos importados e os empresários voltaram a gastar mais com serviços como frete no exterior. Com mais dinheiro, as subsidiárias de multinacionais instaladas no Brasil mandam mais lucros para fora. Esses efeitos, entretanto, ainda são tímidos. Por isso, as contas externas continuam no azul. As chamadasficaram em em março. É o segundo mês seguido de superávit, mas a tendência é gastar cada vez mais e voltar a fechar as contas no vermelho.

O Banco Central projeta que ainda haverá um resultado positivo neste mês, mas aposta numa reversão logo em seguida. Ao contrário do que é usual, os economistas têm torcido para que haja um rombo cada vez maior das contas externas neste ano. Quanto maior um déficit das contas externas, mais significa que a economia reage e a crise está perto do fim. E como o Brasil recebe um grande volume de dólares em investimentos produtivos, os analistas não veem problemas em ter um déficit na conta de comércio e serviços do país com o restante do mundo.

Nos últimos 12 meses, por exemplo, o déficit das contas externas foi de US$ 8,3 bilhões apenas. É muito menos do que em 2014, quando chegou a US$ 104,2 bilhões. O Brasil tem condições de gastar mais com produtos e serviços importados porque recebeu US$ 64,3 bilhões nos últimos 12 meses.

Para o BC, essa é a tendência. As importações devem crescer ainda mais. Os déficits da conta de serviços deve aumentar. E os empresários tendem a enviar cada vez mais lucros e dividendos daqui para frente.

— Todos esses sinais indicam um maior ritmo de atividade da economia brasileira e um maior consumo dentro da economia brasileira — falou o chefe do departamento econômico do BC, Fernando Rocha.

— Esse resultado parece consistente com a projeção de 2018, que é um aumento do déficit em conta corrente em relação a 2017.

Com uma perspectiva melhor de crescimento econômico, não são apenas as empresas brasileira que aumentam os gastos no exterior. O trabalhador brasileiro também.

Somente no primeiro trimestre deste ano, os gastos com viagens internacionais subiram 10%. De acordo com o BC, os turistas daqui deixaram US$ 4,9 bilhões lá fora nos três primeiros meses do ano.

Enquanto os brasileiros gastam o dinheiro das férias de forma constante e crescente no exterior, os investidores estrangeiros não mantém as vindas para o Brasil da mesma forma.

As aplicações em renda fixa e em ações de empresas brasileiras são cada vez mais voláteis. O entra e sai de dólares está refletido nos números. Em março, por exemplo, houve uma saída de US$ 7,8 bilhões. Já para abril, é esperado um ingresso de US$ US$ 4,4 bilhões.

Isso acontece não apenas por causa das turbulências naturais do mercado financeiro, mas por outro motivo: a perda do selo de bom pagador do Brasil. Como o país não tem mais o grau de investimento, perdeu grandes investidores como fundos de pensão estrangeiros que não podem aplicar onde não há o tal selo. Com isso, o mercado brasileiro ficou exposto aos movimentos especulativos.

– Desde que perdeu o grau de investimentos, vemos o entra para ganhar no curto prazo — falou Rocha.

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