RIO - A próxima quarta-feira, dia 19, será decisiva para a Oi dar prosseguimento a seu plano de recuperação judicial. É nessa data que o Conselho de Administração da tele vai apreciar a proposta de aumento de capital de R$ 8 bilhões, feita pela diretoria da empresa. De acordo com fontes do setor, a aprovação dessa capitalização é essencial para que os credores aprovem o plano de renegociação das dívidas, cuja assembleia está prevista para ocorrer em setembro.
No encontro, os conselheiros vão discutir as condições dessa capitalização, como o preço das ações que serão oferecidas e o calendário dessa emissão. Uma das hipóteses em estudo é dividir essa capitalização em até quatro etapas de R$ 2 bilhões.
Devido às questões pendentes, alguns dos principais acionistas ainda não decidiram se vão participar do processo de capitalização. Segundo uma fonte a par das negociações, os portugueses da Pharol (a antiga controladora da Portugal Telecom) já afirmaram, nos bastidores, que não são contra uma diluição de sua fatia na Oi — hoje, eles são os maiores acionistas da tele, com 22,24% do capital total.
Com isso, o empresário Nelson Tanure, que tem 5,28% do capital da companhia por meio do fundo Société Mondiale, pode sair fortalecido desse processo e se tornar o maior acionista individual da Oi. Tanure já tem 2% das ações da Pharol e, desde o fim de junho, tem assento no Conselho da holding portuguesa.
— A Pharol, por exemplo, ainda não tomou sua decisão de participar da capitalização, que está atrelada ao preço e ao calendário da operação. O encontro da próxima quarta-feira vai avaliar as questões técnicas. A aprovação da capitalização é essencial para que o plano de recuperação judicial dê novos passos — disse uma outra fonte, que não quis ser identificada.
Em um cenário sem a capitalização, parte dos bondholders (credores que compraram títulos da empresa no exterior) já sinalizou que não deve aprovar o plano. Este prevê um corte de 70% da dívida, em troca de 25% das ações da Oi, de forma imediata, conforme documento protocolado na Justiça em março.
Mas, como uma das alternativas é dividir esse processo de capitalização em etapas, o aumento de capital estará condicionado à aprovação do plano de recuperação judicial.
— Uma coisa estará condicionada à outra. Essa é uma das questões que serão analisadas no encontro. Como nem todos os acionistas poderão participar da capitalização, também vai se decidir dar direito de preferência aos bondholders, antes de se levar a proposta para novos investidores — destacou outra fonte.
Segundo a proposta da Oi, os recursos oriundos da capitalização serão usados apenas para investimentos — montante que pode subir dos atuais R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões. A ideia, com isso, é aumentar o valor da empresa, por meio do incremento na geração de caixa operacional.
— Isso fortalece o balanço da Oi, dando maior segurança para credores como bancos, que, durante esse processo de renegociação, tiveram de alongar seus empréstimos com um período de carência — afirmou a fonte do setor.
Além do processo de capitalização, a Oi também quer condicionar à aprovação de seu plano de recuperação judicial o pagamento antecipado aos credores que têm débitos a receber de até R$ 50 mil. Alguns credores, como os bancos, questionaram a legitimidade da ação, o que acabou provocando atraso no cronograma de recuperação da tele, cujas dívidas chegam a R$ 65 bilhões.

