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Conhecida pelas TVs e smartphones, LG vai vender cosméticos no Brasil

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SÃO PAULO - Ao lado de fornos de micro-ondas, televisores, celulares com tecnologia de ponta, os sul-coreanos da marca LG também passarão a oferecer aos consumidores brasileiros, a partir de julho, shampoos, cremes hidratantes, sabonetes líquidos, máscaras restauradoras, velas aromáticas e até detergente. O grupo, através de sua divisão LG Household & Health Care, fechou parceria com a Farmax, uma empresa de cosméticos e itens farmacêuticos, com sede em Minas Gerais, para distribuir seus produtos no Brasil. Eles estarão em supermercados, farmácias, atacados e até mesmo em lavanderias, além de serem vendidos pela internet. A primeira leva de itens será importada da Coreia e do Canadá, mas a marca não descarta fabricá-los no Brasil, no futuro.

- Fechamos um contrato de longo prazo para distribuição. Depois que conhecerem o mercado, deixamos nossa porta aberta para produzir esses itens no Brasil, em nossa fábrica em Minas Gerais - explica Bruno Amaral, diretor de novos negócios da Farmax, uma empresa familiar com faturamento anual de cerca de R$ 300 milhões, que fabrica produtos como removedores de esmaltes, protetores solares e repelentes, entre outros produtos.

Embora não sejam muito conhecidos no Brasil, na Coreia, a divisão de cosméticos da LG é a maior fabricante do país, concorrendo com gigantes como a japonesa Sisheido, a francesa L'Oreal e a americana Revlon. Já fincou sua bandeira em mais de 20 países, com subsidiárias ou parcerias como a feita com a Farmax. No ano passado, faturou US$ 5,54 bilhões, um crescimento de 5,6% em relação ao ano anterior. Na América Latina, a empresa tem negócios no segmento de cosméticos na República Dominicana e na Costa Rica, mas ambos em menor escala.

- Nós estivemos focados no mercado asiático na última década e agora estamos em fase de expandir nossos negócios aos consumidores na América Latina - declarou Tae Hoon, Kim, vice-presidente da LG Household & Health Care.

Os shampoos ficam na faixa de preço entre R$ 30 e R$ 40 e vão competir com marcas como a Aussie, da Procter & Gamble, e Kerastase, da L’Oreal. Os produtos de maquiagem, que incluem batons e delineadores, variam numa faixa de preço de R$ 50 a R$ 80 e pretendem concorrer com produtos da canadense M.A.C, por exemplo. Uma novidade para o mercado nacional será o detergente, que não é líquido nem pó. Trata-se de um detergente em ‘folhas’ que se dissolvem na água. Será vendido numa caixa com 45 unidades ao preço de R$ 40. Dos mais de 80 produtos desses segmentos da LG, dez estarão no mercado brasileiro, totalizando cerca de 800 itens.

O Brasil é o quarto maior mercado consumidor de produtos de beleza a higiene do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, Chinas e Japão, segundo a empresa de pesquisas Euromonitor. O setor movimentou R$ 106,3 bilhões em vendas no ano passado, crescimento de 3,2% sobre 2016. Na América Latina, o Brasil representa 49,1% de participação de mercado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

Mesmo com todo esse potencial, o segmento de cosméticos no Brasil é um dos mais competitivos, segundo o Rodrigo Catani, consultor da AGR Consultores, especializada em varejo. Tem marcas nacionais fortes, como Boticário e Natura, grandes multinacionais, como Procter &Gamble e Unilever, além de centenas de fabricantes regionais. Portanto, diz ele, ganhar espaço num terreno tão disputado não é tarefa das mais fáceis.

- O Brasil não é um mercado fácil nesse segmento. E começar do zero, com marcas ainda desconhecidas dos brasileiros, é uma tarefa difícil. O consumidor não vai associar os cosméticos à marca LG, que já está no país há anos com tevês e celulares. Que nicho eles vão focar? - questiona Catani.

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