SÃO PAULO, 19 Mar (Reuters) - O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) avaliou que o ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado endividamento de famílias e empresas, requer cautela e diligência nas concessões de crédito, de acordo com a ata de sua última reunião divulgada nesta quinta-feira.
Segundo o Comef, a materialização de risco para micro, pequenas e médias empresas permaneceu elevada. Em relação às famílias, níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de calote indicam que a materialização de risco deve continuar pressionada.
"O endividamento e o comprometimento de renda das famílias voltaram a crescer e permanecem em patamares historicamente elevados. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda", apontou a ata.
O Comef também avaliou que, no mercado de capitais, a maior utilização de alguns instrumentos de securitização e de estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento pode dificultar a adequada avaliação de riscos.
Quanto ao cenário global, a avaliação é de que ele segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais.
"As incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram", apontou a ata.
"O Comitê está atento à evolução dos cenários doméstico e internacional e segue preparado para atuar, de forma a minimizar eventual contaminação desproporcional sobre os preços dos ativos locais", completou.
O Comef destacou ainda que a materialização recente de riscos geopolíticos aumentou a volatilidade nos mercados financeiros globais, mas que até agora os efeitos concentram-se nos preços de commodities, sem contágio em mesma proporção para outros ativos financeiros.
(Por Camila Moreira)

