Início Economia CNI pede ‘celeridade’ em projetos do BNDES
Economia

CNI pede ‘celeridade’ em projetos do BNDES

RIO E SÃO PAULO - A escolha do ecnoomista Paulo Rabello de Castro para a presidência do BNDES foi elogiada por representantes de entidades empresariais. A expectativa do setor privado é que o economista acelere a liberação de recursos — uma das razões pelas quais sua antecessora, Maria Silvia Bastos Marques, era criticada. Já entre os economistas, alguns destacam a capacidade técnica do novo presidente, mas outros alertam que ele terá pouca margem de manobra para promover mudanças na gestão.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, divulgou nota curta sobre o que espera da nova gestão: o setor empresarial precisa dos recursos do banco. “O novo presidente do BNDES não pode perder a oportunidade de executar com celeridade os projetos de financiamento para a indústria e para a infraestrutura. Esses investimentos são essenciais para ajudar a retomada do crescimento da economia brasileira. O Brasil não pode parar”.

Para Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Paulo Rabello tem as características para chefiar o banco público:

— Ele tem uma percepção muito boa do setor público e do setor privado, e de que é preciso tirar as amarras do BNDES. É a pessoa ideal para substituir a Maria Silvia e pode até fazer mais.

Dono da consultoria Kaduna, o empresário Eduardo Giannetti da Fonseca elogiou a escolha, antes mesmo da confirmação oficial.

— É acertada a decisão de nomear rapidamente o novo presidente, ou correríamos o risco de haver o loteamento político do cargo — disse Giannetti da Fonseca, antes da nomeação. — Lamento a saída de Maria Silvia, uma mulher corajosa, de pulso e muito competente. De qualquer forma, Rabello é um bom nome.

Já Humberto Barbato, presidente da Abinee, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, disse considerar Rabello “uma pessoa extremamente preparada, com muita experiencia, respeitável e um nome bem alinhado com o governo atual, até por isso estava no IBGE”. Traçando um paralelo com uma partida de futebol, Barbato disse que Paulo Rabello estava sentado no banco de reservas para ser colocado quando a partida estivesse mais difícil:

— Ele é muito respeitado, conhece as demandas da indústria.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a escolha de Paulo Rabello foi ótima. A Firjan emitiu nota, antes da nomeação, lamentando a saída de Maria Silvia.

Segundo o ex-presidente do Banco Central (BC) Carlos Langoni, Paulo Rabello vai dar continuidade ao trabalho realizado por Maria Silvia.

— Ele vai manter a mesma linha, de reduzir os subsídios e convergir a TJLP com a Taxa Selic. Tem formação acadêmica sólida e qualificação. Foi uma excelente escolha — afirmou Langoni, ex-professor de ambos.

A economista Margarida Gutierrez, professora do Coppead/UFRJ, diz que a escolha do presidente do BNDES não é “uma discussão técnica”: quem aceitar vai cumprir um “mandato-tampão”. Para ela, Paulo Rabello não conseguirá mudar os critérios de liberação de crédito mais rígidos adotados por Maria Silvia:

— As condições de crédito mudaram. Qualquer mudança terá de passar pela diretoria. Um presidente não vai conseguir fazer nada sozinho, tem um colegiado. Qualquer mudança é de altíssimo risco.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!