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Cautela global com juros e eleição no radar por risco fiscal jogam Ibovespa para baixo

Estadão

O Ibovespa operou em queda na manhã desta sexta-feira, 18, em meio a um cenário de perspectiva de juros mais altos em economias desenvolvidas como Estados Unidos, após o aumento da taxa no Japão. Em meio a preocupações com aperto monetário global está a cautela eleitoral, devido a riscos fiscais, em dia de agenda esvaziada de indicadores e de vencimento de opções sobre ações na B3.

Desta forma, o Índice Bovespa caminha, por ora, para encerrar com queda semanal de 1,4% - por volta das 11h30 -, ante alta de 1,11% na semana passada. Abriu estável, na máxima a 185.991,47 pontos e atingiu mínima de 184.460,91 pontos (-0,82%), diante de aumento dos juros futuros e do dólar, acompanhando o exterior.

Em meio a preocupações com juros altos em importantes economias, está a cautela eleitoral. Segundo Fenando Siqueira, head de research da Eleven Financial, há um certo descontentamento do mercado financeiro em relação à pesquisa Datafolha.

Divulgado na noite de ontem, o levantamento trouxe novamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), preferido de boa parte do mercado financeiro, empatado tecnicamente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em eventual segundo turno da eleição presidencial este ano.

"Não mostrou muita mudança em relação a recentes pesquisas. Desanima um pouco. O Flávio não ganhou a força como muitos imaginaram. Junta um pouco de tudo", diz a fonte, ao referir-se ao desempenho do Ibovespa, que ainda ecoa expectativas de inflacionárias e juros elevados.

O Datafolha indicou o petista com 46% das intenções de voto, ante 44% do candidato do PL, caso a disputa siga para o segundo turno, no final de outubro.

No exterior, o destaque é o Banco Central do Japão (BoJ, na sigla em inglês). A autoridade monetária completou na madrugada de hoje a rodada de decisões de política monetária que ocorreram nesta semana, ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

A taxa de juros japonesa sofreu alta a 1,25%, o maior nível em três décadas. E o mercado avalia que outras elevações ainda estão por vir, podendo respingar em decisões de BCs como o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

Segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o aperto monetário no Japão muda a dinâmica do carry trade, mesmo com o iene enfraquecido, ao elevar o custo do juro e afetar destinos desse fluxo, como o Brasil.

Os juros japoneses estão pressionando os títulos globais, gerando preocupação com as taxas dos Estados Unidos, pois o Japão é o principal detentor de treasuries, diz Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria.

Do lado das commodities, ainda que o petróleo mire alta, ações ligadas ao setor caem, pesando no Ibovespa. Conforme Spiess, há expectativa por um anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana, diante de sinais de recuperação gradual do fluxo do oleoduto Leste-Oeste.

Como destaca, o petróleo Brent chegou a ficar próximo de US$ 100 nos últimos dias e pode encerrar a semana abaixo disso. O movimento pesa contra o real e em ações importantes do Ibovespa, diz.

"E tem essa faceta. Trump disse que haverá um grande anúncio, mas não dá para confiar. O mercado fica refém da comunicação errática dele, das falas do outro lado. Parece que palavras não valem mais nada. Aumenta a sensibilidade do mercado e bancos como o JPMorgan estão deixando de fazer previsões para o petróleo", diz o estrategista da Empiricus.

O petróleo mira alta, depois de ceder mais cedo. O minério de ferro subiu em Dalian (+0,70%) e em Singapura (+0,88%), mas sem influenciar positivamente os papéis relacionados à commodity na B3.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,24%, aos 185.992,03 pontos, com recuo semanal de 0,65% na semana, acompanhando as bolsas internacionais, embora ainda pela manhã tenha recuado 1,24% para 183.242,37 pontos, após o anúncio do reajuste do Bolsa Família. O aumento no valor do benefício aumentou preocupações fiscais dos agentes.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o impacto nas contas públicas é ruim por dois motivos. "O reajuste de 15% do Bolsa Família não é pouca coisa. Isso vai ter um efeito sobre a demanda, sem dúvida", diz. O segundo ponto, completa, "é o timing". O pagamento do Bolsa Família é feito nos últimos 10 dias do mês, e isso, numa grande coincidência, vai acontecer nos mesmos dias em que acontece o segundo turno das eleições no Brasil, afirma em nota.

Às 11h38, o Ibovespa caía 0,75%, aos 184.592,13 pontos. Vale cedia 1,25% e Petrobras, entre 0,41% (PN) e -0,65% (ON)

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