SÃO PAULO - Em mais um capítulo na disputa pelo comando da BRF, o executivo Augusto Cruz, presidente do conselho da BR Distribuidora, pediu a exclusão de seu nome na chapa apresentada pelo empresário Abílio Diniz para compor o novo Conselho de administração da companhia. O pedido foi feito formalmente em uma carta enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta-feira. Segundo Cruz disse ao GLOBO, ele não foi consultado previamente para fazer parte da chapa proposta por Diniz.
- Decidi que não farei parte dessa chapa já que não fui previamente consultado. Além disso, já estava comprometido com os fundos Petros e Previ, que também indicaram meu nome para compor o Conselho - disse Cruz ao GLOBO.
Leia também:
O nome de Augusto Cruz também faz parte da chapa elaborada pela Previ e Petros para compor o novo Conselho da BRF. A indicação dos fundos é para que o executivo ocupe a presidência do órgão em substituição a Abilio Diniz, o atual presidente. Na chapa criada por Abilio, a indicação para a presidência é do ex-ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. A votação da troca de membros no Conselho acontece no próximo dia 26 de abril, numa reunião de acionistas.
Depois de dois anos seguidos de prejuízos que somam R$ 1,5 bilhão, a gestão de Abilio à frente do Conselho está sendo questionada pelos dois fundos de pensão, que juntos detêm 22% das ações da BRF. Petros e Previ apresentaram uma chapa e na última sexta-feira Diniz apresentou uma segunda lista, mesclando nomes com a lista dos fundos.
Dono de quase 4% das ações da BRF, Abilio propôs a formação de uma chapa única e consensual em troca de sua renúncia. Mas os nomes indicados por ele não eram os mesmos dos fundos. O empresário vetou o nome do advogado Francisco Petros, que é o atual vice-presidente do colegiado, e foi indicado pelos fundos para continuar no Conselho. Abilio também vetou o nome de Roberto Funari, ex-Unilever, e Guilherme Afonso Ferreira, dono da gestora Teorema e que foi membro do Conselho de Administração do Pão de Açúcar. E indicou Flavia de Almeida, que trabalha em sua empresa de Participações, a Península. Procurada, a assessoria da Península ainda não se pronunciou sobre a saída do executivo.
- Na chapa apresentada pelos fundos, entendi que há um objetivo em comum entre os indicados de contribuir para a melhoria da empresa. Trata-se de uma tarefa grande e difícil e as pessoas têm vontade e habilidade. Por isso, aceitei o convite. Na sexta-feira passada, fui surpreendido com a divulgação de um fato relevante com uma nova chapa, que inclui meu nome. Assim, decidi tornar pública minha posição para todos os acionistas - afirmou Cruz, que mantém seu nome na primeira chapa.
Segundo O GLOBO apurou, pelo menos outros quatro nomes indicados na chapa de Abílio devem seguir o mesmo movimento de Cruz.
Cruz avalia sua saída como um movimento normal em meio a discussões dos acionistas para mudar os rumos da empresa. Para ele, cada acionista tem que defender seus interesses. Cruz atuou no Grupo Pão de Açúcar durante onze anos e deixou a empresa em 2005 ocupando o cargo de diretor presidente.



Aviso