BRASÍLIA — O Brasil teve, em janeiro, seu melhor da história. As contas públicas da União, estados, municípios e empresas estatais ficaram no azul em no mês passado. Esse desempenho supera qualquer outro já registrado pelo Banco Central em qualquer outro mês. Superou inclusive os períodos em que houve grande receita extraordinária como os ingressos com a repatriação de recursos. Nem assim a dívida pública brasileira caiu, mas voltou a bater recorde.
Desde quando o BC passou a registrar os dados, em 2001, nunca houve um superávit primário tão grande. A União economizou R$ 36,5 bilhões para o pagamento de juros da dívida pública. Já estados e municípios pouparam R$ 10,5 bilhões. As estatais tiveram um déficit de R$ 126 milhões.
Esse recorde foi provocado pela alta da arrecadação muito maior que o crescimento das despesas. A arrecadação de Refis, o aumento do PIS/Cofins sobre combustíveis e a retomada da atividade econômica contribuíram para isso.
Como o resultado foi maior que os juros que o Brasil tinha de arcar em janeiro, o Brasil teve superávit nominal, ou seja, sobraram R$ 18,6 bilhões no caixa no mês passado.
Nem assim, a dívida bruta do governo caiu. Ao contrário: passou de 74% do Produto Interno Bruto (PIB) para 74,5% do PIB em janeiro.
No entanto, a expectativa da equipe econômica é que essa movimento de alta acelerada da receita da União não deve se manter em fevereiro, mês em que o governo faz transferências maiores aos estados e municípios. A meta para todo o setor público é manter o rombo das contas públicas neste ano em no máximo R$ 161,3 bilhões.

