RIO - A Bolsa brasileira opera em alta de 0,83% nesta quarta-feira, aos 73.016 pontos, recuperando parte das perdas com o pregão da véspera, que foi o seu pior desde maio por causa de notícias que mostravam a dificuldade crescente do governo em aprovar a reforma da Previdência. No mercado de câmbio, o dólar comercial recua 0,45% frente ao real, cotado a R$ 3,262 na venda.
No pregão de ontem, causou mal estar a declaração do presidente Michel Temer admitindo que a reforma poderia ser derrotada. À noite, porém, o presidente tentou contornar a situação, usando sua conta no Twitter para defender a reforma e pedir apoio da população.
— Conversei hoje com o presidente Rodrigo Maia, conversei com o presidente Eunício Oliveira, do Senado Federal, fiz uma reunião hoje dos líderes no Senado, como fiz ontem com os líderes da Câmara dos Deputados, e verifiquei nesses líderes a disposição de produzir uma reforma da Previdência para o nosso país — afirmou Temer.
Para reafirmar o compromisso do governo com a matéria, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha também divulgou um vídeo no Twitter logo depois do encontro com senadores e afirmou que Padilha disse que o governo mantém “firme” a posição de que é “indispensável” aprovar a reforma ainda este ano.
— É um movimento de correção de preços, após a queda forte de ontem, proporcionado pelas últimas declarações do Planalto sobre a votação de uma mini-reforma da Previdência. Como ontem parecia que tudo já estava perdido, que o governo havia jogado a toalha, agora ele acabou se mexendo um pouco. Até porque as agências de classificação risco acabariam tomando uma atitude com relação àquele posicionamento — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. — Não acho que nada tenha mudado fundamentalmente. Mas como o mercado vive de expectativas, é verdade que criou-se um clima um pouco mais positivo.
As declarações de Temer na segunda-feira fizeram com que o Ibovespa tivesse ontem seu pior pregão desde a delação premiada dos executivos da JBS, em maio. A queda foi de 2,55%, aos 72.414 pontos. A incerteza política também pressionou o dólar. A moeda americana fechou em alta de 0,52% ante o real, cotada a R$ 3,277.
Nesta quarta-feira, as ações da Bolsa sobem em conjunto, e o Ibovespa é puxado pelos principais papéis. A Petrobras PN (preferencial, sem voto) avança 1,82%, enquanto o Itaú Unibanco registra valorização de 0,95%. A Vale avança 0,89%, e o Banco do Brasil opera em alta de 2.19%.
A TIM opera em alta de 3,49% depois de ter divulgado, na noite de terça-feira, lucro líquido de R$ 279 milhões no terceiro trimestre, aumento de 51,6% em relação ao ano anterior.
A MRV avança 0,94%, após três quedas seguidas. Na véspera, após o fechamento do mercado, a MRV registrou alta de 35% no lucro líquido do terceiro trimestre, para R$ 202 milhões.
Já a Metalúrgica Gerdau sobe 1,82%, depois de ter registrado lucro líquido consolidado de R$ 131 milhões no terceiro trimestre, alta de 495,5% ante o mesmo período do ano passado.
— Os balanços não fizeram muito preço no índice Ibovespa, já que as empresas que divulgaram bons números ou não estão nele ou têm um peso muito pequeno no indicador — acrescentou Monteiro, da Renascença.
Em Wall Street, os principais índices apagaram suas perdas no meio da tarde e sobem agora com a valorização de empresas de tecnologia ofuscando a queda dos bancos com a dificuldade no Congresso que o plano fiscal do governo Trump deve enfrentar. O S&P 500 avança 0,11%, enquanto a Nasdaq sobe 0,23%. O Dow Jones opera praticamente estável.


