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Bancos centrais têm receio com IA e dificuldade para abandonar dólar, diz pesquisa

Por Libby George

LONDRES (Reuters) - A inteligência artificial não é parte essencial das operações da maioria dos bancos centrais do mundo, e os ativos digitais estão fora de questão, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras.

O grupo de trabalho composto por dez bancos centrais da Europa, África, América Latina e Ásia, que administram aproximadamente US$6,5 trilhões em ativos, também constatou que as instituições que mais se aprofundaram em IA até o momento são as mais cautelosas em relação aos riscos.

A principal preocupação é que o comportamento impulsionado pela IA possa "acelerar crises futuras", mostrou a pesquisa.

"A IA nos ajuda a ver mais, mas as decisões devem continuar com as pessoas", disse um participante, citado no relatório do grupo.

Mais de 60% dos entrevistados afirmaram que as ferramentas de IA -- que já provocaram demissões em empresas de tecnologia, varejo e bancos de investimento -- ainda não estão dando suporte às operações principais.

"A maioria das primeiras aplicações se centrava em tarefas analíticas rotineiras, em vez de gestão de risco ou construção de portfólios", concluiu o relatório.

Em contrapartida, a maioria dos bancos centrais utiliza a IA principalmente para tarefas básicas, como resumir dados ou analisar mercados.

A grande maioria dos bancos -- 93% -- também não investe em ativos digitais, segundo a pesquisa, que constatou que "a tokenização é vista com interesse e as criptomoedas com cautela".

O grupo era composto por seis bancos de países do G20 e dois do G7.

A pesquisa revelou que os bancos veem o mundo caminhando rapidamente para um sistema multipolar -- o que gera o desejo de diversificar, mas também de focar em resiliência e liquidez, o que reduz o leque de reservas a serem consideradas.

Embora quase 60% desejem diversificar seus investimentos para além do dólar, a liquidez incomparável dos títulos do Tesouro dos EUA manteve a moeda norte-americana ancorada.

"Estamos passando de um sistema de reservas bipolar para um sistema multipolar, mas o euro ainda não está pronto para liderar", disse um participante do grupo de trabalho, citado na pesquisa.

O status do dólar como principal moeda de reserva mundial foi questionado este ano devido às políticas tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, e à preocupação com a independência do Federal Reserve. Espera-se que o euro e o yuan chinês se beneficiem, mas o dólar deverá permanecer como moeda dominante nas reservas cambiais.

(Reportagem de Libby George)

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