Por Andy Bruce e David Milliken
LONDRES, 17 Set (Reuters) - O Banco da Inglaterra projetou que a inflação britânica ultrapassará os 4% no início do próximo ano ao manter a taxa de juros nesta quinta-feira, e o presidente Andrew Bailey alertou explicitamente que um conflito prolongado no Oriente Médio poderá exigir uma política monetária mais restritiva.
O Comitê de Política Monetária votou novamente por 6 a 3 pela manutenção dos juros em 3,75%, com três membros votando a favor de um aumento para 4%, em linha com a previsão de economistas em uma pesquisa da Reuters.
A ata da reunião desta semana, no entanto, marcou uma clara mudança de tom.
“Até o momento, os custos globais de energia mais altos tiveram um efeito limitado sobre a formação de preços e salários no Reino Unido. Mas quanto mais tempo essa volatilidade persistir, maior será o impacto sobre a inflação e mais provável será que precisemos elevar a taxa básica de juros para garantir que a inflação retorne à nossa meta de 2%”, afirmou Bailey.
O banco central afirmou que os riscos de inflação se inclinaram ainda mais para uma alta desde a publicação de suas previsões econômicas, em julho, acrescentando que a evolução dos preços da energia desde então apresentava semelhanças com seu cenário “adverso”, com o risco de consolidar a inflação.
Embora o Banco da Inglaterra tenha observado que ainda não há sinais de pressão persistente no mercado de trabalho e na formação de preços pelas empresas, ele afirmou que o risco está aumentando.
O banco central também reformulou o plano de reduzir seu estoque de títulos do governo britânico acumulados em tentativas anteriores de estimular a economia, o que significa que suspenderá, por enquanto, as vendas desses títulos ao mercado.
Mas a maioria das famílias e empresas estará atenta às mudanças nas perspectivas para a taxa de juros.
O alerta sobre aumentos na taxa de juros surge em um momento difícil para o primeiro-ministro Andy Burnham e seu ministro das Finanças, John Healey, que estão tentando transmitir um tom positivo sobre as perspectivas econômicas do Reino Unido antes do orçamento em 28 de outubro.
Embora o Banco da Inglaterra tenha elevado sua estimativa de crescimento econômico trimestral para o terceiro trimestre de 0,1% para 0,4%, ele afirmou que a inflação — que ficou em 3,1% em agosto — pode “agora atingir um pouco mais de 4% no início de 2027”. Anteriormente, o banco havia previsto um pico de 3,2% no final de 2026.
A inflação ultrapassou a meta de 2% em todos os meses, exceto três, nos últimos cinco anos, e o Banco da Inglaterra adotou um tom mais firme em relação às perspectivas para as pressões sobre os preços.
“Dado o atraso com que os efeitos de segunda ordem se manifestaram, não era apropriado esperar muito tempo por evidências desses efeitos antes de responder com medidas de política monetária”, afirmou o banco central.
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