BRASÍLIA — Nas discussões para construir um projeto de autonomia do Banco Central, o governo tem defendido que não deveria haver uma regra de transição do atual modelo para um que estabelecesse mandatos fixos para presidente e diretores da autoridade monetária. Assim, a atual diretoria comandada por Ilan Goldfajn ficaria mais dois anos à frente da condução da política de controle da inflação após o fim do governo Michel Temer.
A ideia do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), responsável por tocar o assunto no Congresso Nacional, é estabelecer mandatos fixos para os diretores de quatro anos, de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO. Cumpririam mandato até 31 de dezembro do segundo ano subsequente ao de encerramento do mandato do presidente da República em exercício.
No governo, o desejo é manter a atual diretoria até o fim do segundo ano do próximo governante. Sem uma regra de transição, Ilan e sua equipe ficariam até o fim do segundo ano do próximo presidente da República que fosse eleito em outubro.
— Em time que está ganhando não se mexe — comentou uma alta fonte a par dos bastidores.
A ideia ainda está em discussão na equipe econômica, mas tem o aval das principais figuras que querem ver Ilan Goldfajn mais tempo frente à autarquia. A avaliação é que essa diretoria seria capaz de manter a credibilidade da política monetária independentemente do governo que assumisse. Atualmente, a inflação está abaixo da meta de 4,5%: acumula uma alta de 2,86% nos últimos 12 meses.

