SÃO PAULO- A expectativa de uma alta de juros menos intensa nos Estados Unidos pode demorar um pouco mais e a percepção de avanço nas reformas econômicas contribuíram para a queda do dólar nesta quarta-feira. A moeda americana recuou 0,45% ante o real, cotada a R$ 3,295. Já o índice de referência Ibovespa teve leve queda de 0,12%, aos 63.154 pontos.
Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, lembra que pela manha a divisa chegou a subir, mas perdeu força após a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o bc americano), que ocorreu no meio da tarde.
— Um pesado movimento de venda futura apoiou a desvalorização da moeda estrangeira aqui, especialmente após a leitura da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, conservadora com tem sido nos últimos meses e sem dar pistas sobre o futuro da política monetária do país — disse sobre o documento que sinalizou cortes nos juros menos agressivos.
No exterior, o “dollar index”, que calcula a divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, tinha uma leve queda de 0,01% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil. Do lado negativo, pesa a tensão geopolítica após o lançamento de um míssil de longo alcance pela Coreia do Norte.
Na agenda doméstica, foi destaque a aprovação em plenário, por 46 votos favoráveis e 19 contrários, do requerimento de urgência para a reforma trabalhista. A votação do mérito do projeto, contudo, ficará para a próxima terça-feira, segundo acordo costurado entre líderes do governo e da oposição. No entanto, essa aprovação serviu como um sinal de que as reformas, mesmo que de forma lenta, podem sair do papel.
Em meio a esse cenário, as ações ligadas a commodities operam em queda. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras recuaram 1,76%, cotados a R$ 12,21, e os ordinários (ONs, com direito a voto) caíram 1,95%, a R$ 13,06. A razão foi a desvalorização do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent caía 2,70%, a US$ 48,27. Também tiveram desempenho negativo as ações da Vale. As preferenciais caíram 1,57% e as ordinárias, 2,32%.
Na avaliação de Raphael Figueredo, os negócios no Brasil operaram sob influencia do mercado externo.
—O movimento no nosso mercado está sob influência lá de fora. O petróleo chegou a cair quase 4% e isso rapidamente afetou os papéis mais negociados aqui. Por outro lado, os bancos melhoraram o desempenho, deixando o Ibovespa mais perto da estabilidade — disse.
Os bancos, de fato, melhoraram o resultado, e são eles que possuem o maior peso na composição do Ibovespa. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco subiram, respectivamente, 0,27% e 0,03%. No caso do Banco do Brasil, houve queda de 0,51%.
Entre as altas, destaque para os papéis da Eletrobras. Os preferenciais subiram 6,58% e os ordinários avançaram 7,74% com a possibilidade da estatal vender parte de seus ativos ou mesmo de subsidiárias inteiras.

