RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - As garantias e as aprovações de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para micro, pequenas e médias empresas, as MPMEs, alcançaram R$ 88,8 bilhões no primeiro semestre de 2025.
O valor representa um crescimento de 92,2% em relação ao mesmo período de 2024 (R$ 46,2 bilhões), de acordo com dados da instituição obtidos pela reportagem.
Do total de R$ 88,8 bilhões, mais da metade envolve garantias. Operações do tipo chegaram a R$ 56,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, acima dos R$ 16,8 bilhões de igual período do ano passado.
As garantias buscam assegurar que micro, pequenas e médias empresas tenham acesso a financiamentos de bancos e outras instituições, em uma tentativa de reduzir os riscos para os agentes financeiros responsáveis pelos empréstimos.
Negócios de menor porte podem ter dificuldades para apresentar salvaguardas ao mercado. O BNDES, então, opera fundos com o objetivo de viabilizar as garantias, como é o caso do FGI Peac.
Em setembro do ano passado, o banco havia anunciado que disponibilizaria R$ 100 bilhões por meio dessa iniciativa para MEIs (microempreendedores individuais) e MPMEs. À época, a instituição estimava que mais de 200 mil operações poderiam ser aprovadas em 18 meses.
Além das garantias, o BNDES afirma que aprovou R$ 32 bilhões em crédito para MPMEs de janeiro a junho deste ano, patamar superior aos R$ 29,3 bilhões de igual período de 2024.
Os dados devem ser detalhados no balanço semestral do banco, cuja divulgação está prevista para 21 de agosto, no Rio de Janeiro.
"As MPMEs representam grande parte dos negócios estabelecidos no país e dos empregos gerados", afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota.
Mercadante diz ainda que o apoio em alta a essas empresas é resultado da compreensão do governo Lula (PT) de que elas são fundamentais para impulsionar o crescimento econômico.
O banco afirma que, ao chegar a R$ 88,8 bilhões, o volume de garantias e aprovações de crédito para MPMEs cresceu 465,6% se comparado ao primeiro semestre de 2022 (R$ 15,7 bilhões), último ano da gestão de Jair Bolsonaro (PL).
O governo Lula defende uma atuação fortalecida do BNDES, com medidas de apoio a diferentes setores da economia, mas a posição é vista com ressalvas por uma ala de economistas.
Os críticos temem um inchaço do banco e uma volta de políticas adotadas por gestões petistas no passado. A direção da instituição já rebateu as críticas em mais de uma ocasião, dizendo, por exemplo, que mira segmentos como empresas de menor porte, inovação e transição energética.

