RIO - A decisão da mostra que o país asiático está disposto a seguir as regras internacionais. A avaliação é do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Segundo ele, ainda não é possível mensurar as consequências de um agravamento da tensão entre as duas potências sobre o mundo e sobre o Brasil.
— Aumenta o nível de tensão, mas, ao mesmo tempo, a China deixou claro que está buscando meios legais, ao contrário dos EUA que adotam a medida por conta própria. Sempre acusamos a China de adotar medidas que só interessam a ela, agora fez o contrário. Está seguindo os trâmites normais. É um tapa de pelica nos Estados Unidos — afirmou Castro, após seminário sobre comércio exterior promovido pela AEB no Rio.
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O governo ainda está medindo os impactos do conflito. Segundo o secretário de Comércio Exterior, Abrão Miguel Árabe Neto, o país já adotou medidas para evitar que a turbulência afetasse a indústria nacional quando o governo americano anunciou as tarifas sobre o aço e o alumínio. O temor do setor era que países exportadores para os EUA, barrados pelas tarifas, desviassem o fluxo de exportações para o Brasil, desequilibrando a indústria nacional. Na ocasião, foi criado um sistema de monitoramento em tempo real das importações. Agora, pelo menos enquanto as tarifas propostas por EUA e China não são efetivadas, não há um plano de ação.
— Ainda não há uma medida concreta. Essas medidas foram anunciadas, mas ainda não há uma decisão de nenhum dos dois países de efetivamente aplicar tarifas sobre taxas no comércio bilateral. A gente vai acompanhar para ver qual vai ser o desdobramento desse capítulo, sempre com atenção de que não tenha nenhum impacto significativo para o comércio internacional como um todo — disse o secretário.
Para Ruy Santacruz, diretor da Faculdade de Economia da UFF e ex-conselheiro do Cade, ainda não há sinais de que o Brasil tenha que adotar medidas tarifárias contra possíveis turbulências.
— A gente tem que temer é uma aceleração do fluxo de comércio a preços baixos, não demais países aumentando barreiras — destacou o especialista.




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