BRASÍLIA — O anúncio do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), de que a reforma da Previdência não será votada nesta ano — que já foi desmentido pelo Palácio do Planalto — causou mal-estar no governo e entre líderes da base na Câmara dos Deputados, que foram pegos de surpresa
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, destacou que a reforma da Previdência está na Câmara e ainda não chegou ao Senado — indicado que Jucá não teria ingerência nesse assunto.
— Essa questão está na Câmara dos Deputados — disse Moreira ao GLOBO.
Segundo ele, a decisão sobre a data da votação será anunciada nesta quinta-feira, em uma reunião entre o presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), depois de uma avaliação realista do número de votos a favor da reforma. O encontro deve ocorrer no início da tarde. Temer voará direito de São Paulo para Brasília, assim que receber alta hospitalar. Moreira disse que essa reunião já estava marcada.
Segundo ele, o relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA) deverá ler o novo texto da reforma no plenário da Câmara nesta quinta para dar início às discussões — antes da reunião com Temer.
O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que também não sabia do acordo, e confirmou que só haverá uma definição após a reunião entre Temer, Maia e Eunício.
— Não posso ter aqui uma posição que me foi orientada. O que ficou definido é que teria um encontro dos presidentes da Câmara e do Senado com o presidente (na quinta-feira). Para mim, não está decidido. Se há um acordo, esse acordo não me foi comunicado _ ressaltou Aguinaldo.
Rodrigo Maia não entrou em detalhes sobre o assunto. Ao ser perguntado se a votação ficaria para fevereiro, respondeu:
— Se esta é a posição do governo...
Fontes envolvidas pelo GLOBO disseram que Temer discutiu a possibilidade de adiamento da reforma para fevereiro durante jantar na casa do presidente do Senado na terça-feira. De forma reservada, o governo conta com apenas 230 votos, número muito distante dos 308 necessários para aprovar a proposta. Jucá também participou do jantar.
— O que o Jucá disse não estava alinhado com as lideranças na Câmara. Mas, certamente, ele não falou bobagem — disse um líder da base.
Segundo essa fonte, depois da fala de Jucá, dificilmente, o governo conseguirá reverter o cenário, ainda mais se o Congresso aprovar o orçamento de 2018.

