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ANÁLISE: Após prévia do PIB de fevereiro, previsões para o ano já recuam para menos de 2,5%

RIO - O IBC-Br de fevereiro, divulgado nesta segunda-feira, é mais um ponto na trajetória de uma recuperação muito mais lenta do que a antes prevista para a economia brasileira em 2018. O índice de atividade econômica mensal calculado pelo Banco Central avançou apenas 0,09% no mês, após recuo de 0,65% em janeiro (dado agora revisado da contração de 0,56% divulgada anteriormente), na base de comparação com o mês precedente. Depois desse resultado, as projeções para a variação do PIB em 2018 provavelmente passarão por novas revisões para baixo.

A partir dos números do IBC-Br de fevereiro e das projeções para seus resultados nos meses seguintes, não são mais visíveis indicações de que a atividade econômica encontre condições para crescer 3% em 2018. A previsão, padrão no fim do ano passado, somente continua no radar dos analistas mais otimistas, mas o viés geral das estimativas é, definitivamente, de baixa.

Essa tendência baixista pode ser acompanhada nas respostas semanais dos analistas do mercado para o Boletim Focus, organizado e divulgado pelo Banco Central. Do início de março para cá, as estimativas para a variação do PIB em 2018 recuaram de 2,9% a 2,76%, e o movimento de revisão rumo a um número menor ainda não parece ter chegado ao fim.

Apostas na renovação do fôlego do consumo das famílias e numa recuperação um pouco mais animada dos investimentos não estão se confirmando. No primeiro caso, a perda de força se deve ao fato de que a absorção de trabalhadores tem se dado quase exclusivamente no mercado de trabalho informal, que determina, por sua natureza mais instável, maior hesitação das pessoas em consumir e contrair crediários.

Quanto aos investimentos, embora a necessidade de atualização mínima de máquinas e equipamentos, depois de cinco anos de grandes perdas, determine algum tipo de crescimento quase compulsório, outros elementos presentes na conjuntura do momento impedem expansão mais alentada. Capacidade ociosa, desendividamento lento das empresas, sobretudo pequenas e médias, elevado custo efetivo dos financiamentos e incertezas político-eleitorais se combinam para barrar uma expansão capaz de impulsionar o crescimento econômico.

Com tudo isso, as projeções para o crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano caíram de 1% para 0,5%, com algumas estimativas, como a do Bradesco, apontando para 0,3%. Se essa projeção se confirmar, para chegar a uma expansão de 3% no ano, o avanço a cada um dos três trimestres restantes terá de alcançar, em média, no mínimo 1,5% — um número improvável.

A questão, agora, não é mais saber se o PIB crescerá 3% em 2018, mas até onde o ritmo de crescimento poderá cair. No início deste segundo trimestre, as previsões convergem para uma expansão anual do PIB de 2,5%. Mas já há analistas, entre os mais experientes e competentes da praça, projetando crescimento de 2,2% em 2018.

* José Paulo Kupfer é jornalista

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