LONDRES - Investidores de todo o mundo operam sob tensão nesta quarta-feira, . As Bolsas europeias e os índice futuros de Wall Street operam no vermelho, enquanto os investidores buscam refúgio em títulos do Tesouro americano, no ouro e no iene japonês. O rublo russo, por sua vez, estende sua queda contra o dólar na semana a 10%, superando a desvalorização ocorrida durante a anexação da Crimeia em 2014.
A Rússia é a principal aliada do governo sírio na guerra contra forças rebeldes. Sua relação diplomática com os EUA já havia gerado repercussões no mercado financeiro esta semana, — sete empresários e 17 autoridades do governo russo — russos sob alegação de participarem de “atividades malignas” para subverter democracias ocidentais.
Trump tem sido pressionado para adotar postura mais dura contra o presidente russo Vladimir Putin, o qual Trump sempre se mostrou relutante em criticar — conduta inédita para um Republicano. Trump e sua campanha estão sendo investigados a respeito de relações aparentemente promíscuas com oligarcas e autoridades russos.
O índice Euro Stoxx 50, referência para as ações da zona do euro, cai 0,69%. A Bolsa de Londres recua 0,11%; a de Paris, 0,72%; em Frankfurt, as perdas são de 0,97%, e em Madri, de 0,43%.
Os ativos russos sentem com intensidade ainda maior a turbulência. O rublo caiu até 2,3% contra o dólar, para o menor valor em 16 meses; o retorno exigido pelos investidores dos papéis russos alcançou, por sua vez, o maior nível desde novembro; e o risco-país da Rússia subiu ao patamar mais elevado desde agosto. A Bolsa russa, porém, tem pregão volátil, após a queda de 8,3% na segunda-feira em reação a sansões dos EUA.
O ouro, considerado um porto seguro em momentos de grande volatilidade, avançou 0,8%, a US$ 1.349,60 a onça.
— Há risco de que a situação na Síria vai escalar para um conflito militar maior, e é isso que está impactando — disse Peter Cardillo, economista-chefe da Spartan Capital Securities, uma corretora de Nova York.
A Rússia alertou que vai derrubar qualquer míssil dos EUA lançado contra a Síria devido a um suposto ataque químico no sábado na cidade de Douma, último reduto rebelde da região de Ghouta Oriental, subúrbio de Damasco, onde o regime do presidente Bashar al-Assad vinha implementando uma ofensiva para reconquistar o território. Após a ameaça russa, o Trump disse no Twitter para os russos prepararem para ataques.
“A Rússia promete derrubar qualquer míssil lançado contra a Síria. Prepare-se, Rússia, pois eles estarão vindo, bons e novos e inteligentes. Você não deveria ser parceira de um Animal Assassino com Gás (tóxico) que mata seu povo e gosta!”, ameaçou Trump, em referência ao presidente sírio Bashar al-Assad, acusado de ser o responsável pelo suposto ataque em Douma.
Na China, cujas Bolsas fecharam antes do tuíte de Donald Trump, os mercados acionários avançaram, com o mercado recebendo bem a promessa de Pequim de abrir mais o setor financeiro do país a investidores estrangeiros, e com as preocupações sobre uma guerra comercial com os EUA mostrando sinais de abrandamento.
O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,29%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,56%.
Os ganhos foram liderados pelas empresas dos setores bancário e imobiliário. A China estabeleceu hoje cronograma mais claro para abrir seu setor financeiro a mais investimentos estrangeiros até o fim de 2018, enquanto Pequim tenta se defender das crescentes críticas dos EUA e de outros países de que limita injustamente a concorrência.




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