Este impacto já pode ser percebido em itens que têm repasse ao varejo, explica Braz, como o índice de produtos alimentícios e bebidas, medidos pelo IPA na indústria de transformação. A variação do índice foi de 3,26% em setembro, ante 0,80% em agosto. "Em 12 meses, essa taxa ainda é baixa, de 2,74%, mas isso de fato vai chegar no varejo", completou Braz.
A previsão é de que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), apurado também no âmbito do IGP-M, saia da taxa de 0,27% registrada em setembro para aproximadamente 0,45%, ou "próximo a 0,50%". Além da transmissão dos preços agrícolas e de matérias-primas e bens intermediários, o IPC ainda terá um enfraquecimento do item que figurou como âncora neste mês: os alimentos in natura. Na divisão do IPC por classes de despesa, os alimentos in natura aparecem com queda de 4,78% em setembro, menor do que a registrada em agosto (5,57%). Em 12 meses, os in natura acumulam alta de 1,51%. Em dezembro do ano passado, chegaram a acumular 21%.
Segundo Braz, o arrefecimento dos preços de alimentos in natura em parte é efeito de boas colheitas e em parte devolve as altas anteriormente registradas, quando se chegou a apontar o tomate como grande vilão da alimentação. O item hortaliças e legumes influenciou para baixo o IPC deste mês. O grupo Alimentação teve variação de 0,14% em setembro, mas, sem este item, teria taxa de 0,58%.
"Agora as temperaturas aumentam, essa âncora perde sua força e a alimentação vai acelerar", diz ele, também se referindo não só à aceleração dos preços de alimentos in natura como também ao repasse das tendências apontadas pelo IPA. Ele aponta altas de carne suína (de 0,44% em agosto para 7,02% em setembro), frangos frigoríficos (de 0,81% para 5,75%) e óleo de soja (de -3,71%) para (4,41%). Apesar da trajetória de alta, o IPC deve desacelerar em 12 meses, pois chegou a taxas mais altas em igual período do ano passado, marcado em outubro de 2012, por exemplo, variação de 0,58%.



