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‘A estratégia da indústria é sobreviver à crise’, diz presidente da Usiminas

RIO - Em meio à disputa entre sócios pelo comando da siderúrgica Sergio Leite, presidente da Usiminas, crê na retomada da economia.

Já se passaram dez dias (desde o vazamento), que é o período mais crítico. Não houve paralisia na economia, não houve ruptura, nossos negócios continuam evoluindo normalmente. Também não houve desvalorização significativa do real. Houve um primeiro impacto cambial, mas o dólar já está num patamar entre R$ 3,20 e R$ 3,30, relativamente estável. Transcorre normalmente a vida econômica no Brasil.

A redução na taxa de juros vai continuar a ocorrer. Estamos confiantes que ela venha, ao fim do ano, para o patamar de 8,5% (hoje a Selic está em 11,25%). Nossa expectativa é de queda em torno de um ponto percentual (hoje).

As reformas são essenciais para o Brasil. Falo de reforma da Previdência, trabalhista e até política. Temos que criar clima para fazer essas reformas. O Brasil não pode parar, por mais delicado que seja o momento.

Qualquer passo, por menor que seja, é melhor que a imobilidade. Mas se o passo não for adequado, na dimensão que se precisa, vamos ter de voltar ao tema talvez no próximo governo, já em 2018.

O que desejo é que se encontre uma solução que seja melhor para o Brasil. O momento político é delicado. Mas temos de trabalhar para a estabilidade econômica e para se construir um cenário de estabilidade política nos próximos anos.

Subsídio, nós não somos a favor. Temos de partir para uma realidade que seja adequada e que torne a indústria competitiva. Com a redução da Selic, o BNDES vai ter também que fazer uma análise das suas taxas, taxas que tornem possíveis a indústria brasileira investir, crescer e se tornar competitiva.

Esperamos crescimento pequeno, de 3%. Muito pouco para compensar a perda dos últimos três anos. Nenhum segmento específico vai puxar essa demanda. As montadoras, por exemplo, não estão vendendo muito no mercado interno, mas estão aumentando a exportação e, com isso, aumentam o consumo de aço. Hoje, a saída, não apenas para nós como para nossos clientes, é a exportação.

Não muda nada. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração em 11 de maio, e o alto-forno volta a operar em abril de 2018. Vamos fazer um investimento de R$ 80 milhões. Esperamos que nossas vendas em 2017 sejam muito similares às de 2016, em torno de 3,8 milhões de toneladas de produtos laminados.

De 2008 a 2014, investimos R$ 14 bilhões para aumentar nossa capacidade. Quando terminamos o investimento, em 2014, o Brasil começou a desacelerar.

Temos 400 clientes ativos na Usiminas. Nos últimos três anos, a crise atingiu praticamente todos. Tenho contato permanente com eles. Nenhum fala que vai investir, que vai aumentar vendas, que vai contratar pessoal. A crise atingiu de forma muito intensa todos os setores da economia. São montadoras, fábricas de produtos de linha branca, empresas de óleo e gás, entre outros.

A estratégia da indústria, de maneira geral, é sobreviver, sobreviver à crise e se preparar para um futuro de crescimento. Toda a indústria brasileira tem capacidade ociosa tão grande, que ela poderia ser imediatamente ativada, sem necessidade de investimento.

Temos dois em funcionamento em Ipatinga. Vamos reativar o terceiro e voltar a operar a usina em plena carga a partir de abril de 2018. Em Cubatão (na Baixada Santista), os dois altos-fornos, assim como as outras unidades de produção primária (que produzem placas de aço), foram paralisadas em janeiro de 2016.

Eles devem se manter assim por três a cinco anos. Só vão voltar no dia que houver uma recuperação mais robusta da economia. Um estudo do Instituto Aço Brasil mostra que o ano de pico nas vendas internas de aço foi em 2013. Foram 24 milhões de toneladas. Em 2016 isso caiu para 16,5 milhões de toneladas. Quando vamos voltar ao pico? Só em 2025.

O clima interno na Usiminas é cada vez melhor. As demissões fazem parte da rotina.

Tenho 40 anos de Usiminas. Existe, e é público, um conflito entre os acionistas. Meu papel tem sido, por meio da minha relação pessoal com ambos, buscar encontrar uma solução. Mas ainda não encontramos.

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