Hoje, 21 de outubro, é celebrado o Dia Nacional da Alimentação na Escola, data que chama atenção para hábitos alimentares saudáveis entre estudantes da rede pública e está ligada à história do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que existe desde 1955 e hoje obriga estados e municípios a aplicar ao menos 30% dos recursos federais do programa na compra de alimentos da agricultura familiar, com prioridade para assentamentos da reforma agrária e comunidades indígenas e quilombolas.
No Amazonas, essa regra tem um efeito concreto no Alto Rio Negro: em São Gabriel da Cachoeira, chamadas públicas do PNAE já injetaram recursos em safras de produtores indígenas de etnias como a Tuyuka, espalhados por comunidades às margens dos rios Negro, Tiquié, Içana, Xié, Uaupés e Ayari, reunindo mais de uma centena de famílias fornecedoras em um único edital. O resultado prático tem sido a saída gradual de itens como arroz, macarrão, carne enlatada e refresco em pó das despensas das escolas indígenas, dando lugar a alimentos da própria região.
Esse movimento também tem respaldo institucional: o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, baseado no cultivo de mandioca em roças itinerantes e na troca de sementes entre famílias, foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Já a Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas (Catrapoa), criada em 2016, atua justamente para aproximar esse conhecimento tradicional da merenda servida nas escolas.
Data fixa no calendário nacional, o Dia Nacional da Alimentação na Escola é lembrado todos os anos em 21 de outubro — mas no Amazonas ganha um significado particular numa região onde a logística fluvial torna caro e demorado levar produtos industrializados a comunidades isoladas, e onde a própria floresta e o rio já oferecem boa parte do que uma merenda escolar saudável precisa.
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