A descoberta de uma vara de madeira em formato de cobra de aproximadamente 4.000 anos deixou intrigados arqueólogos na Finlândia no ano de 2020. Os traços da cobra foram cuidadosamente esculpidos num ramo e o artista incorporou as curvas sinuosas do ramo para dar um efeito serpenteante.
Sabe-se que as cobras eram veneradas e retratadas na arte ao longo da história em diversas culturas, que as descrevem na forma dos antigos deuses cobra da Índia e do Mediterrâneo, por exemplo. Mas achados como esses são raros.
Os arqueólogos destacaram que essa estatueta de madeira é um achado único no norte neolítico da Europa, pois ainda que outras cobras feitas de madeira, de ossos, de âmbar ou de argila tenham sido achadas entre o leste do Mar Báltico e os montes Urais, é incomum quando comparada a outras criaturas, como aves aquáticas ou alces.
O artefato foi descoberto em Järvensuo I, uma zona no sudoeste da Finlândia, num trecho coberto de lama, revelou um artigo publicado na revista Antiquity.
Encontrada a cerca de meio metro de profundidade, numa camada de turfa (material de origem vegetal, parcialmente decomposto), a estatueta tem 53 centímetros de comprimento.
Em entrevista à revista National Geographic, a arqueóloga da Universidade de Turku, na Finlândia, Satu Koivisto, autora principal do artigo, descreve como a descoberta do modesto artefato "até nos fez arrepiar, ficamos em choque" , disse Satu.
De acordo com a arqueóloga, tanto o tipo de madeira como o tipo de cobra representado ainda não foram identificados, mas acredita-se ser uma cobra-de-água (Natrix natrix) ou uma víbora europeia (Vipera berus).
Agora os arqueólogos estão voltados para descobrir o propósito da obra de arte neolítica, se seria um brinquedo para crianças ou um objeto de rituais. “Será que foi acidentalmente abandonada, ou colocada deliberadamente onde foi encontrada cerca de 40 séculos depois?”, indaga Satu, destacando que o local onde a estatueta foi encontrada era uma pradaria exuberante e pantanosa, de difícil acesso e travessia.
Com um enorme significado simbólico nas posteriores culturas fino-úgricas e Sámi do norte da Europa, as cobras eram cercadas de crenças, como a de os xamãs se transformavam nelas.
Entre as teses levantadas, está a de que o artefato poderia ser um bastão de xamã da Idade da Pedra.
A equipe continua na área buscando informações que possam ajudar a desvendar a origem de um objeto tão precioso.

