O pracaxi é a semente da árvore Pentaclethra macroloba , comum nas margens de rios e igapós da Amazônia. Diferente de muitas espécies exploradas pela madeira, ela costuma ser colhida já caída no chão, sem necessidade de cortar a árvore — uma prática que virou fonte extra de renda para comunidades ribeirinhas, como as da Ilha de Cotijuba, no Pará, que vendem a semente in natura ou o óleo extraído dela. São necessários cerca de 3,5 quilos de semente para produzir um litro de óleo, rico em lipídios, proteínas e carboidratos.
Na medicina popular amazônica, a casca da árvore é usada em chás e cataplasmas contra febre, disenteria e picadas de cobra e escorpião, e a própria semente aparece como antídoto tradicional contra veneno de serpente — usos que a ciência ainda não comprovou. O óleo extraído da semente também é aplicado popularmente contra inflamações, asma e bronquite, e é tido como cicatrizante para feridas e úlceras, mas publicações técnicas da Embrapa apontam que essas indicações seguem sem estudos que confirmem o efeito.
Foi na cosmética que o óleo de pracaxi ganhou mercado internacional, puxado pelo alto teor de ácido oleico — entre 40% e 60% — e pela presença de vitamina E e carotenoides, compostos com ação antioxidante. Um estudo pequeno, com 21 pessoas, testou o óleo aplicado sobre cicatrizes e relatou melhora de tamanho, cor e dor, resultado atribuído a compostos que poderiam estimular a produção de colágeno e modular a inflamação — mas que ainda precisa ser confirmado em pesquisas maiores. Testes com ratos sobre o uso oral do óleo não mostraram efeitos adversos, porém não existe estudo equivalente em humanos.
Por isso, assim como outros óleos amazônicos, o pracaxi não deve ser tratado como remédio nem substituir orientação médica. A recomendação é fazer um teste em uma pequena área da pele antes do uso, já que pode provocar reação alérgica em pessoas sensíveis, e evitar o excesso, que pode entupir poros e folículos — um cuidado extra para quem tem pele oleosa ou propensa a acne, uma vez que o potencial comedogênico do óleo ainda não foi bem definido pela ciência.
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