No século 18 pessoas acreditavam que cabeças decepadas expressavam raiva

Por Portal do Holanda

21/08/2021 9h50 — em Cura pela Natureza

Foto: Dominío Público/ Foi levantado um boato de que um assassino teria expressado raiva e suas bochechas teriam ficado vermelhas após ser decaptado

 Nos tempos do uso da guilhotina na França, no Século 18, muitas histórias surgiram após a execução de alguns condenados, que tiveram a cabeça decepada do pescoço.

Diziam que o assassino de Jean-Paul Marat, Charlotte Corday, executado em 1793, teria expressado raiva e suas bochechas teriam ficado vermelhas. Outro caso, foi de um homem chamado François Le Gros, que supostamente teria levantado a cabeça e batido nas duas bochechas. 

Esses relatos de cabeças decepadas parecem ter mostrado sinais de consciência, mas para especialistas, essas histórias são falsas porque não existem evidências científicas de que a cabeça pode permanecer consciente depois de ter sido separada do corpo.

Nos últimos anos, tem crescido o interesse pela realização de transplante de cabeça, mas tudo em teoria porque a ciência ainda não sabe quanto a cabeça e seu conteúdo podem sobreviver após a remoção de seu corpo original.

A questão é técnica. O cérebro e todas as suas estruturas necessitam de oxigênio para funcionar. Esse órgão responde por 20% de todo o oxigênio usado no corpo. Com os vasos sanguíneos do pescoço cortados, o suprimento de oxigênio é interrompido. 

Após o golpe, qualquer que seja o oxigênio que tenha permanecido no sangue e nos tecidos, certamente não duraria muito, explicam os estudiosos.

MOVIMENTOS

O movimento que dizem ter visto nos homens executados com a guilhotina, só seria possível em tecidos ou estruturas ainda presas à cabeça, como músculos para mover os olhos ou a boca. Isso porque os nervos que suprem esses músculos ainda estariam conectados.

Nos outros animais, há relatos de sobrevivência por muito mais tempo, como é o caso de um chef na China supostamente morto por picada de cobra venenosa 20 minutos depois da cabeça dela ter sido removida.

O entendimento nessa área de pesquisa, nos últimos tempos, se voltou para o que as pessoas que experimentaram a morte ou quase morte, e se estavam cientes de quando passam por tais eventos.

Algumas pessoas que sofreram um ataque cardíaco ou uma parada cardíaca descrevem eventos ocorridos com eles ou na sala ao redor deles durante a ressuscitação. Isso é uma demonstração de que, embora seu coração parasse de bater, seu cérebro estaria ciente do que está acontecendo ao seu redor, embora não apresentem nenhum dos sinais clínicos de consciência.

Outros estudos mostraram atividade no cérebro pode durar até 30 minutos após o coração parar de bater. Há uma pesquisa mostrando que, mesmo depois de o coração parar de bater, ainda há atividade no cérebro, que termina com uma onda final de atividade que varre o cérebro, ocorrendo minutos após o batimento do coração.

Mais pesquisas em humanos são necessárias para realmente estabelecer qual é a atividade detectada após a morte.


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