Poucas plantas têm fama tão firme nos quintais do Norte e do Nordeste quanto o mastruz, também chamado de erva-de-santa-maria. Batido com leite, fervido em chá ou amassado sobre contusões, ele carrega a reputação de expulsar verme, aliviar gripe e acelerar a recuperação de pancadas. Seu nome científico atual é Dysphania ambrosioides , antes classificado como Chenopodium ambrosioides , e a espécie aparece na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, lista de 71 plantas que o Ministério da Saúde elegeu como prioridade de pesquisa. Vale a distinção: entrar nessa relação significa que a planta merece ser estudada, não que sua eficácia já esteja provada.
O que a ciência de fato encontrou está concentrado numa substância do óleo essencial, o ascaridol. Em laboratório, ela mostra ação contra parasitas, fungos e insetos, o que dá alguma base ao uso tradicional como vermífugo. Essa base, aliás, é antiga: entre 1916 e 1921 o óleo da planta foi empregado em campanhas de combate a verminoses no Brasil, e mais de um milhão de pessoas passaram pelo tratamento antes que medicamentos de dose exata e previsível tomassem o lugar dele. O que não existe até hoje são ensaios clínicos amplos em seres humanos confirmando os demais usos populares — gripe, bronquite, cicatrização de fraturas.
O problema é justamente o ascaridol. O teor da substância varia de forma extrema conforme o solo, o clima e a parte da planta: análises de amostras de diferentes origens vão de menos de 1% a mais da metade da composição do óleo, e as sementes concentram bem mais que as folhas. Não há como saber, olhando um maço de mastruz colhido no quintal, se aquele chá vai sair fraco ou carregado. E em dose alta a mesma molécula que age sobre o parasita age sobre quem tomou: os registros descrevem irritação do trato digestivo, náusea, dor de cabeça, visão embaçada e tontura, e a literatura da época das campanhas de massa relata acidentes fatais associados a doses elevadas.
Por isso, as orientações técnicas sobre a planta são restritivas. O óleo essencial não deve ser ingerido em nenhuma hipótese, e o uso interno da planta é desaconselhado a gestantes, lactantes, crianças pequenas e pessoas com problemas de fígado, rim ou audição — o mastruz também é apontado na tradição popular como abortivo em doses altas, motivo extra de cautela na gravidez. Nada disso invalida o lugar da planta na cultura amazônica, mas nenhum preparo caseiro substitui avaliação médica, exame de fezes ou vermífugo prescrito. Quem faz uso contínuo de medicamentos ou tem doença crônica deve conversar com médico ou farmacêutico antes de recorrer ao chá.



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