Quem já tomou um tacacá na Amazônia conhece a sensação: de repente, a língua e os lábios começam a formigar e ficam quase dormentes, como se tivessem recebido uma pequena anestesia. A responsável por esse efeito é uma florzinha amarela cultivada em quintais e roças de Manaus e de todo o Pará: o jambu, planta símbolo da cozinha regional que também desperta a curiosidade de pesquisadores de todo o país.
O efeito de dormência vem de uma substância chamada espilantol, presente nas flores e nas folhas em concentração rara na natureza. Tradicionalmente, ribeirinhos e famílias amazônicas usam o jambu como analgésico caseiro para dor de dente e de garganta, além de atribuírem à planta propriedades digestivas, anti-inflamatórias e até afrodisíacas, repassadas de geração em geração. O jambu também é rico em vitamina C e ferro, nutrientes que ajudam a explicar parte de sua fama como fortificante.
A ciência confirma com segurança o efeito anestésico local do espilantol sobre a boca e a pele, motivo pelo qual indústrias de cosméticos e de fármacos já estudam incorporá-lo a produtos bucais, cremes e até alternativas naturais ao botox para suavizar linhas de expressão. Já os efeitos afrodisíaco, diurético e vermífugo atribuídos à planta ainda não têm comprovação científica robusta: pesquisadores reconhecem que faltam estudos clínicos mais amplos sobre o assunto, mesmo com o interesse crescente de universidades e laboratórios pela espécie nos últimos anos.
Por isso, o jambu deve ser tratado como ingrediente da cozinha amazônica, nunca como remédio. Gestantes e lactantes devem evitar o consumo em quantidade, já que não há comprovação de segurança para mãe e bebê, e pessoas com pressão alta ou baixa precisam de cautela, pois a planta pode interferir na pressão arterial e interagir com medicamentos de uso contínuo. Em excesso, o espilantol também pode causar náusea e desconforto em pessoas mais sensíveis. Qualquer uso medicinal deve ser sempre avaliado por um profissional de saúde.
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