Em reservas como a de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no Amazonas, moradores raspam com facão a resina que escorre pelo tronco do breu-branco (Protium heptaphyllum) sem precisar derrubar a árvore. Processada em miniusinas locais, a matéria-prima que antes valia cerca de R$ 1 o quilo, sem nenhum beneficiamento, se transforma em óleo essencial de maior valor, tornando-se fonte extra de renda para famílias extrativistas da região.
O uso tradicional da resina é antigo entre populações ribeirinhas: ela serve para calafetar canoas e selar frestas na madeira de casas, além de ser queimada como incenso. Na medicina popular e na aromaterapia, atribuem à resina e ao óleo propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, e também auxílio em problemas respiratórios como asma e bronquite — usos baseados na tradição, sem comprovação científica direta até aqui.
A ciência, por sua vez, mostra que a composição química do óleo essencial do breu-branco varia muito de uma coleta para outra, dependendo do clima, do solo e até da época da extração, o que dificulta garantir sempre o mesmo efeito. Em testes de laboratório, o óleo mostrou atividade contra fungos do gênero Candida; em ratos, apresentou efeito de relaxamento dos vasos sanguíneos, o que desperta interesse para pesquisas sobre pressão alta, além de sinais de proteção do estômago. Nenhum desses resultados foi testado ainda em humanos.
Por causa dessa variação química e da falta de estudos em humanos, não existe dose segura estabelecida nem garantia de que um lote repita o efeito de outro. O breu-branco não substitui orientação médica, e gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas devem evitar o uso interno sem acompanhamento profissional; antes de aplicar o óleo na pele, o recomendado é testar numa pequena área e observar a reação por 24 horas.
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