BRASÍLIA — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes evitou partir para um primeiro confronto direto com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, mas defendeu a decisão de soltar pela terceira vez o empresário Jacob Barata Filho, o "rei do ônibus" no Rio. Em recurso enviado ao STF nesta segunda-feira, Raquel defendeu que Barata volte a ser preso preventivamente.
Segundo a procuradora-geral, a competência para analisar um habeas corpus não era de Gilmar, mas do ministro Dias Toffoli, que vem relatando os casos da Operação Cadeia Velha. Gilmar é responsável pelos casos da Operação Ponto Final, e decidiu de ofício conceder habeas corpus ao "rei do ônibus", preso tanto em uma quanto na outra operação.
Depois de um evento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite desta segunda-feira, Corte presidida por Gilmar, o ministro foi questionado sobre o agravo apresentado ao STF por Raquel. Ele tentou evitar alimentar uma polêmica:
— Essas conversas só se dão nos autos. Vamos discutir isso nos autos.
Os jornalistas insistiram e perguntaram ao ministro se ele tinha competência para analisar a liberdade de Barata na Cadeia Velha.
— Como eu lhe respondo? Você acha que alguém toma uma decisão achando-se incompetente? — contestou Gilmar.
Na gestão de Rodrigo Janot à frente da Procuradoria Geral da República (PGR), Gilmar partiu para o confronto direto e aberto com o procurador-geral por inúmeras vezes. O ministro chegou a chamar Janot de "delinquente", atribuiu a ele a pior gestão à frente da PGR na história e disse que o então procurador-geral "chantageava" o STF.
Janot denunciou o presidente Michel Temer, com quem Gilmar tem proximidade, por duas vezes, uma por corrupção passiva e outra por organização criminosa e obstrução de Justiça. Nos dois casos, a Câmara barrou o andamento das denúncias. O ministro do STF foi crítico das duas denúncias e das delações dos executivos do grupo J&F, que deram início às investigações que resultaram nas denúncias.

