O Corpo de Bombeiros entrou neste sábado (28) no quinto dia de buscas por desaparecidos nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, após temporais que deixaram dezenas de mortos e milhares de desabrigados. Até o momento, Juiz de Fora registra 64 mortes e um desaparecido, enquanto Ubá contabiliza sete vítimas fatais e um desaparecido, segundo balanço da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. Um desaparecido também foi incluído em Cataguases nesta sexta-feira (27).
Durante a manhã, os bombeiros localizaram um homem de 48 anos no bairro Linhares, em Juiz de Fora. As buscas seguem concentradas no bairro Paineiras, onde um menino de 9 anos continua desaparecido. “Temos contado com uma corrente de voluntários que auxilia na retirada de lama e destroços, tornando o trabalho mais ágil”, informou um dos oficiais presentes na operação. Técnicos da Defesa Civil e do Crea-MG avaliam ainda os riscos de deslizamentos nas encostas do Morro do Cristo.
A região enfrenta desde a última segunda-feira (23) chuvas intensas que provocaram deslizamentos e inundações. Juiz de Fora contabiliza 8.584 pessoas desabrigadas ou desalojadas e 2.367 ocorrências registradas pela Defesa Civil. Em Ubá, o efetivo de busca foi reforçado, e um dos desaparecidos foi localizado no início da noite deste sábado. “Estamos mobilizando toda a estrutura disponível para minimizar os impactos e localizar os desaparecidos com segurança”, disse um porta-voz do Corpo de Bombeiros.
O presidente Lula visitou neste sábado as áreas afetadas e anunciou medidas de assistência à população. Entre as ações previstas estão a construção de casas de até R$ 200 mil para vítimas que perderam imóveis, envio de técnicos para obras de drenagem e estabilização de encostas, distribuição de medicamentos, ampliação da vacinação e instalação de unidades móveis de saúde. Além disso, ambulâncias do Samu foram antecipadas e o saque do FGTS na modalidade calamidade foi liberado para os moradores atingidos.
Juiz de Fora está entre as cidades brasileiras com maior população em áreas de risco, segundo levantamento do Cemaden. Dos 540.756 habitantes, cerca de 128.946 vivem em regiões sujeitas a deslizamentos, enchentes e enxurradas, o equivalente a 23,7% da população. “A prioridade agora é a segurança das famílias e a reconstrução das áreas mais atingidas, com atenção especial às crianças e idosos”, afirmou um representante da Defesa Civil municipal.

