BRASÍLIA - As declarações do diretor-geral da Polícia Federal, , de que a mala de dinheiro do ex-assessor não serviria como prova de corrupção contra o presidente desencadearam uma forte onda de críticas ao novo chefe da instituição. No meio da tormenta, o diretor-executivo o segundo na hierarquia, evitou dizer se a mala vale ou não como prova, mas defendeu o diretor. Segundo ele, Segovia teria se referido a importância de se prolongar a ação controlada até esgotar todas as possibilidades de obtenção de provas.
— Ele falou que a operação era um ação controlada. Como ação controlada ela pode produzir provas ainda mais robustas no decorrer do tempo —tentou explicar Avelar numa entrevista exclusiva ao GLOBO.
Ex- candidato a deputado federal pelo PMDB nas eleições passadas, minimizou as relações com Tadeu Filipelli, o manda-chuva do PMDB local. Ex-assessor especial de Temer, Filipelli foi preso em maio deste ano numa investigação da PF sobre desvios do estádio nacional Mané Garrincha. O diretor-executivo disse ainda que a intenção da nova diretoria da polícia é intensificar, e não esvaziar, as investigações da Lava-Jato, inclusive o inquérito Temer é investigado por suposto favorecimento da Rodrimar, uma das empresas que explora serviços no Porto de Santos.
A portaria de nomeação dos novos diretores da polícia foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira. A seguir os principais trechos da entrevista concedida por Avelar na terça-feira
. Nós temos que dar continuidade ao bom trabalho que vinha sendo feito e procurar melhorar naquilo que for preciso. A PF precisa buscar uma pacificação interna entre as categorias. Uma maneira de melhorar o ambiente interno para que a gente consiga produzir ainda melhores resultados.
.É pra valer. É uma das nossas grandes vocações da Polícia Federal é o combate à corrupção. A gente tem desenvolvido ao longo dos anos uma expertise cada vez maior. Temos que continuar a investir nisso. O país precisa disso. A Polícia Federal é uma referência e quer continuar sendo uma referência muito positiva nesse sentido.
.Ele falou que a operação era um ação controlada. Como ação controlada ela pode produzir provas ainda mais robustas no decorrer do tempo.
.Não acredito que a polícia tenha errado. Quem está fora da investigação, o meu caso, não tenho condições de fazer essa avaliação.
. Você está se atendo a uma situação específica. Eu estou falando no sentido genérico de uma operação que envolve ação controlada. Uma operação que envolve ação controlada demanda tempo para que você possa justamente fazer uso da ação controlada. Quem tem condições de aferir se aquela operação está pronta para ser deflagrada é quem está fazendo as investigações. Como eu não estou dentro dessas investigações, eu não tenho condições de fazer essa avaliação.
.Ele emitiu uma opinião de quem conhece a fundo investigações com esse teor. A posição de diretor pode ter dado a ele melhores condições de saber o que estava se passando naquela operação. Eu não tenho condições. Eu não tive essas informações. Concordo que numa situação genérica você tem que saber jogar com o tempo de uma ação controlada. Para você deixar o crime se exaurir para você poder, então, ter uma prova o mais robusta possível. Daí a necessidade de se trabalhar com o tempo. Eu acho que foi nesse sentido a fala do diretor.
.Eu fui candidato por puro idealismo. Minha candidatura foi uma consequência natural de quem, há nos, vinha trabalhando com as questões relacionadas à segurança pública. Alguém que tinha feito um bom trabalho, modéstia parte, em Brasília. E que via tantas importantes questões de segurança pública sendo discutidas por pessoas muito distantes dessa realidade. Muitas vezes você tem profissionais de segurança pública que não tiveram a oportunidade, como eu tive, de conviver com a origem dos problemas que geram o incremento da violência. Por puro idealismo eu quis contribuir. Temos no Congresso Nacional uma série de pessoas de carreiras diferentes, atletas, músicos discutindo um assunto técnico como é segurança pública.
. Eu respondo com meu currículo. O meu currículo me credencia a ocupar a posição para a qual eu fui convidado. Fui delegado de combate ao crime organizado. Exerci várias chefias na PF. Fui diretor do sistema penitenciário nacional. Fui secretário de Segurança (do DF). Por duas vezes fui indicado em lista para o cargo de diretor-geral. Enfim, acho que esse respeito que tenho dos meus colegas reforça minha condição de ocupar essa opção. Estou lá (como diretor-executivo) pela minha carreira profissional e não pelo fato de que um dia em fui o candidato idealista que tentei, dentro daquele campo, contribuir para diminuição da violência.
. Não. Estou desfiliado há muito tempo, há mais de ano.
Fui indicado secretário de Segurança Pública por um ministro de carreira do Ministério da Justiça Luiz Paulo Barreto. Ele foi o único ministro funcionário concursado do ministério. Quando o governador do Distrito Federal (naquele período, Agnelo Queiroz, PT) perguntou para o ministro quem seria um delegado que tivesse perfil adequado para a Secretaria de Segurança, o ministro me indicou pelo meu perfil técnico. Nunca fui vinculado a partido nenhum. Eu era diretor do sistema penitenciário nacional. Eu fui indicado na condição de ex-presidente da Associação Nacional de Delegados da PF, de ex-delegado regional de combate ao crime organizado. Essas eram as credenciais que o ministro entendeu que era suficientes para me indicar. Minha indicação, muito ao contrário de ser política, foi uma indicação técnica.
. É o que eu estou explicando. Eu nunca tive relação com ele até que o conheci na condição de secretário de Segurança e ele de vice-governador (do DF).
.Eu recebi vários convites. Eu tinha conseguido tirar Brasília das 50 cidades mais violentas do mundo. Desse raking, salvo engano, 21 são capitais brasileiras. Eu tinha conseguido, claro Polícia Militar, Polícia Civil, bombeiros, a gente tinha feito um trabalho integrado das forças de segurança e tiramos Brasília desse ranking. Tivemos, então, uma visibilidade positiva que despertou interesse de vários partidos. Não foi um interesse tão somente do PMDB. A escolha do PMDB foi por uma questão de legenda.
?
.Eu era visto como um bom quadro técnico.
Eventualmente eu conversava com ele. Eu, já desfiliado, inclusive, sempre fui visto como um bom quadro técnico. Talvez a prova disso é que eu não me elegi.
. Não, nenhuma
Conheço o diretor-geral. Fomos colegas na UnB. Temos uma boa formação. Dentro da polícia ocupei chefias importantes. Fui delegado regional de combate ao crime organizado. Por duas vezes fui indicado em listas elaboradas pelos colegas para ser diretor-geral. Fui secretário de Segurança. Então é indiscutível que eu tenho currículo para estar onde estou. Currículo técnico, e não político.
.Quem contribuiu para minha campanha foi o comitê do presidente do partido. Todos os candidatos a deputado federal recebem uma contribuição. É um rateio do que o partido recebe do fundo partidário. A parte que me coube foi R$ 11.250,00. Á época o presidente do partido era o doutor Michel Temer. Recebi contribuições de colegas delegados e de profissionais de áreas distintas próximos disso daí.
. A tendência é fortalecer ainda mais a Lava-Jato, fortalecer mais a área de combate ao crime organizado. Nossa intenção é ampliar os quadros das áreas responsáveis por ações sensíveis. Isso já foi dito pelo doutor Fernando Segovia e pelo diretor de Combate ao Crime Organizado, doutor Eugênio Ricas.
.Essa decisão de troca de delegados não compete a mim. Compete ao diretor de Combate ao Crime Organizado. Essa é uma pergunta que tem que ser feita ao doutor Eugênio Ricas. O que eu posso garantir é que eles estão trabalhando no sentido de fortalecer essas áreas, inclusive com o aumento de policiais para fazer essas investigações sensíveis.
.Você fortalecendo a área você vai fortalecer qualquer investigação de qualquer inquérito independentemente de quem esteja sendo investigado . Você investiga os fatos não as pessoas.

