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Vereador Siciliano diz que estão tentando matá-lo 'com mesmo tiro' de Marielle

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RIO - O vereador Marcello Siciliano chamou de operação midiática a busca e apreensão de objetos em imóveis relacionados a ele na manhã de ontem e disse que, ao levantar suspeitas de que tenha participado do assassinato da vereadora Marielle Franco, estão "querendo matar outro vereador com o mesmo tiro". Em coletiva de imprensa, Siciliano  pediu a federalização das investigações da execução de Marielle e do seu motorista, Anderson Gomes, porque, em sua opinião, foi eleito como "bode expiatório" pela polícia para que, às vésperas do fim da intervenção militar no Rio, as investigações sejam concluídas.

Siciliano disse que se sente inseguro e analisa entrar com pedido de proteção policial. "A DH (Delegacia de Homicídios) não tem mais condições de seguir com esse processo", disse, durante a entrevista.

"Com todo o respeito que eu tenho ao Judiciário, ao Ministério Público, à instituição policial, mas a gente está vendo que a intervenção está chegando ao fim. Tem uma pressão muito grande por parte da sociedade, (das organizações) dos direitos humanos, da Anistia Internacional. Esse (assassinato de Marielle) realmente é um crime de repercussão internacional. Mais do que ninguém quero também que seja desvendado. Não sei por que resolveram me 'pegar para Cristo' nesse crime que não cometi", afirmou.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã de ontem em imóveis residenciais, escritórios e gabinete da Câmara dos Vereadores. Na operação, foram recolhidos documentos, computadores e celulares, além de um cofre. Por livre iniciativa, Siciliano esteve na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, na Cidade da Polícia, para onde o material foi levado. Ele chegou por volta das 10h30 e saiu às 16h50. Hoje, ele disse que não prestou depoimento, apenas se colocou à disposição da polícia e que demorou tantas horas na delegacia porque havia muito material recolhido para catalogar.

"Venho aqui reiterar o pedido de federalização do caso. Está mais do que claro, com todas as denúncias que vêm acontecendo a membros da delegacia que está investigando (Delegacia de Homicídios). Todas essas falhas que estão acontecendo ao longo desse processo. Quem é essa pessoa que me acusou? Criaram uma história contra mim, que não prosperou. Agora estão tentando criar outra história contra mim", disse o vereador.

Os mandados de busca e apreensão de ontem atenderam pedido pelo Ministério Público Estadual (MPE), segundo o advogado de Siciliano, Carlos Lube, com o argumento de que o vereador é suspeito de fracionar terrenos de um condomínio de classe média em Vargem Grande, onde mora, na zona oeste do Rio de Janeiro. Esse condomínio não tem qualquer relação com o trabalho desenvolvido por Marielle. Por isso, a defesa do vereador acredita que tenha sido uma manobra encontrada pela polícia para ter acesso a documentos de Siciliano. 

"O único fracionamento de terra que eu me meti na minha vida, o único terreno que fiz de loteamento foi há 20 anos. Em 1998 fiz um condomínio de classe média alta em Vargem Grande, onde morei com a minha família e meus filhos há mais de dez anos. Meus pais moram lá, meu irmão mora lá. É um condomínio totalmente saneado, que só não é legalizado ainda por conta do código de obras. Todo ele com documentação, com escritura definitiva. Qual será a próxima (acusação)? Será que vão tentar me matar dizendo que é queima de arquivo?", questionou.

O vereador foi inserido nas investigações da execução da vereadora e do seu motorista como testemunha, após ter sido acusado por outra testemunha que não teve o nome revelado de ter participado do planejamento do assassinato junto com Orlando de Oliveira Araújo, conhecido como Orlando de Curicica. Ele nega proximidade com Curicica. Siciliano levantou suspeita de ligação dos policiais que investigam o caso com seus opositores políticos e milicianos e mais uma vez disse que Marielle era "uma amiga querida".

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