BRASÍLIA - O governo pediu militares para conter o protesto nesta quarta-feira. Foi acionada pelo presidente a Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O ministro da Defesa, Raul Jungmann, condenou a manifestação, que segundo a Polícia Militar tem 35 mil pessoas. O presidente Michel Temer também atacou o ato: disse que é "inaceitável o descontrole". As tropas federais já estão em Brasília.
— O senhor presidente faz questão de ressaltar que é inaceitável a baderna, que é inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como este venham a turbar um processo que se desenvolve de forma democrática e com respeito às instituições — declarou o ministro da Defesa, que não respondeu a perguntas de jornalistas nem revelou o contingente de agentes.
Ele emendou que o pedido veio também do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Segundo Jungmann, o protesto estava previsto para ser "pacífico", mas "degringolou à violência, vandalismo, desrespeito, na agressão ao patrimônio público, na ameaça às pessoas, muitas delas servidoras que se encontram aterrorizadas e que estamos, neste momento, garantindo sua evacuação". Todos os ministérios foram evacuados e o expediente foi encerrado às 15h. No Planalto, a ordem de Temer é para que todos os servidores permaneçam no prédio, que é escoltado por militares em todas as ocasiões.
Temer teve de cancelar uma reunião que teria às 16h por dificuldade de acesso ao Palácio do Planalto. Ele receberia José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e um grupo de empresários.
Temer já pediu reforço ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança da Presidência. Veio do GSI a ordem para evacuar os ministérios, e a Casa Civil disparou mensagens para todos os secretários executivos. Os militares consideraram que a integridade física de servidores estava em risco.
Manifestantes depredaram ministérios e até atearam fogo em parte do Ministério da Agricultura. O clima é de praça de guerra, com troca de balas de borracha, pedras e pedaços de pau. Há feridos.

