BRASÍLIA - Um dia depois de ser denunciado por corrupção passiva, o presidente Michel Temer avalia um pronunciamento à imprensa nesta terça-feira. Apesar de a agenda oficial do peemedebista prever reuniões no Palácio do Planalto às 10h, ele permanece no Palácio do Jaburu, residência oficial, com assessores de comunicação.
Se acontecer, a fala de Temer deve tentar passar a narrativa de que ele é vítima de perseguição e politização, por parte do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Um auxiliar afirma que, pelo fato de "inúmeros" deputados serem investigados, o governo vai buscar com que eles se sintam contemplados com a indignação de Temer. O presidente também deve relembrar que seu governo é o único viável para aprovar reformas econômicas e repetir dados positivos da economia, como queda da inflação e da taxa básica de juros.
Na segunda-feira, antes de ser denunciado, Temer buscou aparentar normalidade no Planalto, tentando agendas positivas. Ele discursou que "nada" o "derrubará" e sorriu, irônico, quando foi perguntado por repórteres se renunciaria. À noite, Janot, denunciou Temer e o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures por corrupção passiva. O PGR disse que o presidente "ludibriou os brasileiros", e pede que pague indenização de R$ 10 milhões.
Agora, o Supremo Tribunal Federal (STF) enviará a denúncia à Câmara. Após análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), dois terços do plenário da Casa — 342 deputados — devem votar pela aceitação da ação. Então, o pleno do STF decidirá se torna Temer réu. Caso isso aconteça, Michel Temer é afastado do cargo por até seis meses, enquanto corre o julgamento.
Quando o GLOBO revelou a delação do JBS, em 17 de maio, uma quinta-feira, Temer demorou um dia para fazer uma declaração à imprensa, quando repisou que não renunciaria. Depois de fazê-la, repetiu o gesto depois de dois dias, convocando jornalistas para o Palácio do Planalto no sábado. Nesta terça-feira, o presidente não segue a agenda oficial divulgada e permanece no Palácio do Jaburu com assessores de comunicação. Auxiliares políticos, como o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, tentam mostrar normalidade fazendo reuniões em seus gabinetes.

