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Sob a sombra de operação da PF, UFSC elegerá novo reitor em abril

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SÃO PAULO - A eleição para reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que ainda vive sob a sombra da Operação Ouvidos Moucos da Polícia Federal, será decidida em segundo turno no próximo dia 11 de abril. A votação em primeiro turno terminou no final da noite de ontem e nenhum dos três candidatos alcançou mais da metade dos votos. Os professores Irineu de Souza, com 34% dos votos, e Ubaldo Balthazar, com 33, 7%, seguem na disputa pela reitoria.

A campanha tem sido pautada pela falta de respostas da apuração feita pela Polícia Federal (PF) sobre supostos desvios de verbas na instituição e o suicídio do antigo reitor, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que foi acusado de obstruir as investigações.

Apoiado pelo grupo de Cancellier, que administra a universidade desde 2016, Balthazar exerce o cargo de reitor temporário da universidade. Na campanha, tem afirmado que seguirá com os projetos do antigo reitor e tem aproveitado para defender Cancellier.

Apesar de também condenar a ação policial, Irineu de Souza critica a falta de transparência da direção da UFSC sobre as denúncias de desvios de recursos.

Crítico mais contundente da gestão do reitor Cancellier, o professor Edson De Pieri terminou em terceiro lugar com 30,6% dos votos. Para ele, "a falta de esclarecimento por parte da universidade reforça o sentimento que há algo errado."

Cerca de 40 mil pessoas, entre alunos, professores e funcionários, estavam aptas para votar, mas somente 14.792 compareceram às urnas. O vencedor da consulta pública ainda terá que ser aprovado pelo Ministério da Educação.

O novo reitor assumirá o cargo em maio e terá como missão recuperar a imagem da UFSC e a confiança na instituição, que desde a operação da PF, afirmam os candidatos, vem perdendo financiamento para projetos de pesquisa. Atualmente, a universidade tem um orçamento anual de R$ 1,4 bilhão, excluindo as verbas de financiamento para pesquisas e projetos como a educação a distância, alvo da investigação da PF.

Passados quase 200 dias da operação, ninguém foi indiciado como responsável pelos supostos crimes. Os investigadores pediram à Justiça, no último dia 13, mais 90 dias para encerrar o inquérito. Proibido de entrar na universidade e acusado de usar seu cargo para impedir que denúncias fossem apuradas, Cancellier se suicidou em 2 de outubro. Ele alegava inocência.

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