BRASÍLIA — O censurou uma fala de (PMDB-AL) acusando o presidente de ter nomeado uma conselheira para a Agência Nacional de Águas () para prestigiar o silêncio do ex-deputado . Dita no meio da sessão do plenário na quarta-feira, a fala foi retirada das notas taquigráficas e um texto publicado na Agência Senado também teve a informação removida. Em resposta ao GLOBO, o Senado justificou motivo regimental para a retirada da fala das notas taquigráficas e disse que no caso da Agência o motivo foram "critérios editoriais de imparcialidade".
O ataque foi feito por Renan durante a votação da indicação para a ANA de Christianne Dias Ferreira, que é atualmente subchefe adjunta para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência. Após ter registrado seu voto a favor, o peemedebista pediu para alterar o voto. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), informou ao colega que o sistema não permite a modificação no caso de votações secretas, como era aquela. Renan, então, explicou o motivo que o levava a querer rejeitar a indicação:
— Fiquei sabendo agora que a senhora Christianne Dias Ferreira - e isso não a desabona, mas a quem indicou -, ela vem a ser uma ex-assessora do ex-deputado Rocha Loures. (A indicação) Viria a ser um prestigiamento do presidente da República ao silêncio do ex-deputado. Eu queria, ao menos, recusar essa prestação de serviço com o meu chapéu. Pelo menos isso.
Não houve polêmica em plenário após a frase e não consta qualquer pedido para a retirada da fala dos anais da Casa. Nas notas taquigráficas a supressão foi justificada com base em dois artigos do regimento. O primeiro trata do poder do presidente da Casa de publicar todos os trabalhos e atos do Senado cabendo a ele impedir o que forem “expressões vedadas” pelo regimento. O segundo artigo é o que proíbe aos senadores “usar de expressões descorteses ou insultuosas”.
No caso da Agência Senado, a crítica feita por Renan constava na matéria da seguinte forma: “Durante a votação, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) informou que Christianne Ferreira foi assessora do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que está preso em Brasília (DF) e é acusado de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução da justiça num processo que envolve o presidente da República, Michel Temer. Para Renan, a indicação seria um 'prestigiamento' ao silêncio do ex-deputado”. Ele ressaltou que esse fato não desabona a indicada.”
A informação foi retirada por completo da matéria. A acusação, porém, permaneceu no vídeo da sessão no site do próprio Senado.
Rocha Loures está em prisão domiciliar. Ele foi filmado recebendo uma mala de R$ 500 mil do diretor da JBS Ricardo Saud e . Na primeira denúncia feita contra o presidente Michel Temer, o ex-procurador-geral Rodrigo Janot afirmou que o dinheiro recebido seria para Temer. A denúncia contra o presidente acabou suspensa por decisão da Câmara e só será apurada após o término do mandato. A defesa de Rocha Loures tenta no Supremo que ele também seja beneficiado por essa suspensão.
Não há registro de vínculo empregatício entre Christiane e o ex-deputado. Ela atua como adjunta na subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, sendo subordinada diretamente a Gustavo Vale Rocha. Renan atribui a indicação de Gustavo Vale Rocha ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
Informado pelo GLOBO sobre a retirada de sua fala dos registros da Casa, Renan reagiu.
— O fato de me censurarem é mais grave ainda. O que eu falei é que a moça era indicação do Eduardo Cunha e do Rocha Loures, que mesmo presos seguem mandando no governo — disse o senador peemedebista.
A assessoria de imprensa do Senado afirmou que a retirada da acusação das notas taquigráficas foi baseada no regimento. "As notas taquigráficas da sessão plenária do Senado Federal do dia 13 de dezembro foram editadas para cumprir o disposto no Regimento Interno, a fim de evitar “expressões descorteses ou insultuosas” (art. 19, inciso I) a terceiros. Tal edição está devidamente registrada nas próprias notas taquigráficas", diz nota.
Em relação à Agência Senado, a mudança decorreu de critérios editoriais. "A matéria intitulada “Senado aprova três novos diretores para a Agência Nacional de Águas”, publicada na Agência Senado, foi atualizada porque não atendia aos critérios editoriais de imparcialidade da Secretaria de Comunicação Social do Senado Federal (SECOM), que preza por registrar de forma equânime todas as opiniões expressas em Plenário. A atualização de matérias é uma prática corriqueira do jornalismo on-line.", afirmou a assessoria.

