Saiba quem são ‘Beto Louco’ e ‘Primo’, os chefes do esquema bilionário do PCC
Mohamad Hussein Mourad, o '"Primo" ou João, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de "Beto Louco", são apontados como os principais líderes de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), operando principalmente no setor de combustíveis.
Primo se apresentava publicamente como CEO da G8LOG, empresa especializada no transporte de cargas perigosas, e consultor do grupo Copape, formuladora de combustíveis. Em redes profissionais, como o Linkedin, adotava uma imagem de empresário disciplinado e comprometido com a segurança logística.
No entanto, desde 2018, já era investigado por falsidade ideológica e fraude em bombas de combustível. Em 2023, foi denunciado por adulteração de combustíveis e sonegação fiscal milionária. Em 2024, a ANP suspendeu a atuação da distribuidora Aster, ligada a ele, por irregularidades.
Considerado o cérebro financeiro da operação, Primo coordenava uma rede de empresas que incluía usinas, refinarias, postos de gasolina e lojas de conveniência. Utilizava familiares e “laranjas” para ocultar patrimônio e lavar dinheiro, além de estar envolvido na importação irregular de metanol e nafta, usados para adulterar combustíveis.
Beto Louco, por sua vez, era o gestor operacional e financeiro da engrenagem criminosa, mas de apresentava com uma postura mais discreta, com foco técnico e administrativo. Era conhecido nos bastidores como um gestor eficiente, responsável por implementar estruturas empresariais complexas e garantir o funcionamento da cadeia logística de combustíveis.
Comandava diretamente empresas como Copape e Aster, centrais na produção e distribuição de combustíveis adulterados. Criava estruturas societárias complexas, inspiradas em offshores e empresas de fachada, e operava fundos de investimento e companhias de participações para blindar o patrimônio do grupo. Há relatos de que usava intimidação contra proprietários de postos que venderam seus negócios à rede criminosa e não receberam os valores acordados.
Entre 2020 e 2024, o grupo liderado por Primo e Beto Louco movimentou mais de R$ 52 bilhões. Nesta quinta-feira (28), ambos voltaram aos holofotes criminais sendo alvos da Operação Carbono Oculto, que mobilizou mais de 1.400 agentes em oito estados. A Receita Federal identificou 40 fundos de investimento ligados ao grupo, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões.
Veja também
ASSUNTOS: Brasil