BRASÍLIA - Pela segunda vez em um dia, o presidente Michel Temer defendeu as Forças Armadas nas prisões estaduais, voltando a classificar a morte de mais de 130 presos nas duas últimas semanas como "pavorosas". Temer defendeu que as inspeções pelos militares, isoladas, não serão suficientes para resolver a questão, e que o governo deve "liquidar" o assunto o quanto antes.
Temer disse que a presença dos militar gerar temor nos presídios e também credibilidade.
— As Forças Armadas não vão ter contato com os presos, não vão cuidar dos presos. É fator de atemorização para aqueles que estão nos presídios. E fora também.
— Se não houver conjugação de esforços, não vamos ter ilusão de que a simples menção às Forças Armadas terá resolvido a questão. É puxar o primeiro fio do novelo, como os senhores (governadores) têm que ter a possibilidade de recursos, entre eles os necessários para a construção de presídios — disse o presidente da República, admitindo que a superlotação carcerária acontece em "todas as localidades".
Em fala inaugural na reunião com governadores do Norte e Centro-Oeste nesta quarta-feira no Palácio do Planalto, o presidente também fez um discurso aberto, já que houve transmissão ao vivo da TV estatal NBR. Pela manhã, em cerimônia no Sebrae, ele já havia defendido a "ousadia" do emprego de militares para inspecionar cadeias estaduais, que estão em "drama infernal". Desta vez, pela tarde, ele disse que as Forças Armadas irão "atemorizar" os detentos.
Temer defendeu que o governo "liquide" a crise o mais rápido possível, e lembrou que a população fica chocada quando vê imagens de selvageria nas carceragens. Boa parte dos mais de 130 mortos nas prisões do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte foi morta barbaramente, com decapitações e mutilações.
— Quando as imagens chegam à TV e, mais drasticamente, por Whatsapp e internet, são cenas pavorosas, muitas vezes inimagináveis, muitas vezes difíceis de se olhar. Recebi muitos depoimentos dessa natureza. Precisamos minimizar, acabar com isso, liquidar com esse assunto.
Se nesta semana o presidente usa palavras duras para a matança nas carceragens do país, no começo da crise o comportamento foi oposto. Há 16 dias, quando o primeiro massacre deixou 56 presos mortos em Manaus, Temer ficou quatro dias em silêncio completo, e depois chamou a chacina de "acidente".

