BRASÍLIA - Um dia depois de senadores ligados a Renan Calheiros (PMDB-AL) se reunirem em um jantar regado a críticas ao presidente Michel Temer, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) acusou o governo de impor à base uma "suicídio coletivo" à la Jim Jones, pastor que comandou um massacre que matou 918 pessoas em 1979 no território da Guiana.
A maioria dos mortos bebeu, a mando do pastor fundador de uma seita pentecostal cristã, de orientação socialista, veneno misturado a um ponche de frutas.
O peemedebista, que esteve no jantar de ontem na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), afirmou que Temer serve, em seus jantares, o "vinho envenenado de Jim Jones", e que, se a base aprovar as reformas que seu governo propõe, vai "morrer eleitoralmente". Temer deve se reunir com um grupo de senadores do partido em jantar nesta quarta-feira, no Palácio do Jaburu.
— Temer está como Jim Jones oferecendo vinho envenenado para os soldados, e estamos percebendo que quem toma o vinho morre eleitoralmente — disse ao GLOBO o senador.
Requião foi um dos poucos senadores que se mantiveram fiéis à ex-presidente Dilma Rousseff até o fim. Ele votou contra o impeachment da petista e sempre fez críticas a Temer, de quem é correligionário.
O senador criticou as propostas que o governo quer aprovar e o fato de o presidente ter sancionado o projeto da terceirização. A maior preocupação dos senadores da base é a possibilidade de não se reelegerem em 2018.
— Ele quer aprovar propostas terríveis que eliminam a popularidade de quem quer se reeleger em 2018. Eu não bebo desse vinho — afirmou Requião.

