BRASÍLIA - A procuradora-geral da República, , afirmou nesta segunda-feira que o Ministério Público Federal () deve redobrar os esforços para porque, apesar de todo trabalho que vem sendo feito ao longo dos últimos anos, quadrilhas influentes continuam em ação para desviar dinheiro público. Segundo a procuradora-geral, a corrupção é escandalosa e deve ser tratada com toda intolerância. Raquel Dodge falou sobre o assunto na abertura da celebração do Dia Internacional de Combate à Corrupção, na sede da Procuradoria-Geral.
— Algumas quadrilhas foram desbaratadas, mas muitas continuam a agir com desfaçatez, à luz do dia e em conluios que não escapam a registros, a câmaras de vídeo e a colaborações; outras escondem quantias milionárias, às vezes de modo tão petulante e displicente que nos dão a certeza de que não temem a punição. A obra realmente está incompleta e reclama operários persistentes, incansáveis, destemidos e determinados. Aqui estamos — disse Dodge no discurso mais contundente que fez desde que assumiu o comando da Procuradoria-geral.
Nos últimos meses, a Câmara dos Deputados barrou duas denúncias por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça formuladas pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer. Numa outra investigação, a Polícia Federal apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento usado em Salvador pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, um dos ex-principais auxiliares do presidente. No discurso Raquel Dodge falou sobre a importância do mensalão e da Lava-Jato, mas disse que o combate a corrupção requer atitude ainda mais firme.
— No Brasil, a corrupção é um fato tão escandaloso que o sentimento de todos os brasileiros e do Ministério Público, como instituição de controle e de fiscalização, é de intolerância absoluta com a corrupção. A pequena e a grande corrupção. Esta é a urgência do agora. É por isto que nos reunimos aqui para dizer, de modo eloquente, que vamos redobrar o grande esforço já feito até o momento contra a corrupção, para aplicar a Constituição e a lei, porque percebemos que o muito alcançado ainda é insuficiente para paralisar desvios e apropriações ilícitas- disse.
A procuradora-geral afirma ainda que é importante manter a vigilância sobretudo porque 2018 é um ano eleitoral e, com base em relatos do Tribunal de Contas da União (TCU), seriam evidentes sinais de desvios em contratos públicos. Raquel Dodge tentou ainda afastar o que ela considera considera preocupações sobre a verdadeira disposição do novo comando da Procuradoria-Geral de promover o combate irrestrito à corrupção. A procuradora-geral reafirmou que tem o compromisso de combater com vigor, ainda que em silêncio, ataques aos cofres públicos. Ela também defendeu a primazia do Ministério Público Federal sobre acordos de delação premiada e a preservação da prisão em segunda instância, dois pilares da Lava-Jato.

