O portal de notícias IG traz à tona o drama vivido por famílias de meninas que ficam famosas por ingressarem em uma espécie de ranking. Mas tem uma coisa: as candidatas afirmam nem saber que "concorriam" em tal campeonato. Confira um trecho da reportagem.
Nayara, de 14 anos, e Lara, de 18, disputavam uma coroa, mas não sabiam. Morando no Grajaú e Embu das Artes, extremos de São Paulo, as duas - cujos nomes verdadeiros serão preservados - conquistaram o posto de "Rainhas do Top 10". Apesar do título nobre, o ranking que virou moda na periferia não busca engrandecer as eleitas. “4º lugar: a mais vadia da favela”, exibe a montagem. Com menos de um minuto de duração, os vídeos ganham as vielas pelo WhatsApp e coroam meninas com uma fama que elas nunca desejaram ter.
“Esse Top 10 é uma peste. Está na favela toda”, conta a vendedora Camila, de 33 anos, que usa nome fictício, como as outras entrevistadas. Descobrir que a filha Nayara havia enviado uma foto nua ao colega de classe foi o primeiro susto. No mesmo dia 16 de novembro, a imagem já tinha sido vista por toda a escola e admirada nos botecos de Jd. Santo Eduardo, em Embu das Artes. “Meu mundo caiu”, desabafa.
Um dia após o outro, Nayara conquistava novas posições no Top 10. Até ganhar uma página fake no Facebook. Agora, ela era a Pietra. “Minha vida acabou. Por onde ando sou a 'famosinha do Top 10' ou 'Pietra'. Perdi meu nome, minhas amigas e não gosto de sair de casa. É difícil aguentar isso”, conta a jovem. Para ela, colegas “recalcados” são os responsáveis pela exposição. Mas não quer descobrir. A saída mais fácil foi abandonar a escola e tentar cursar o nono ano do ensino fundamental em outro local. Fonte: IG

