SÃO PAULO - Pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu nesta sexta-feira que o perdedor de uma eventual prévia tucana tem a obrigação de apoiar o vencedor nas eleições. Em entrevista à rádio “Jovem Pan” nesta tarde, ele evitou mencionar o nome do principal concorrente à vaga de presidenciável, o prefeito João Doria.
— Eu vou trabalhar para eu ser candidato. Se não for, não tem problema, eu vou ajudar quem for candidato. Quem ganhar (a prévia) está legitimado para ser o candidato. Quem perder tem o dever moral de apoiar quem ganhou — disse.
Doria não se declarou pré-candidato a presidente até agora, mas especula-se que, se for preterido pelo PSDB, poderá trocar de partido para conseguir concorrer ao Palácio do Planalto em 2018. No início da entrevista, sem citar o então afilhado político, o governador tratou com naturalidade a possibilidade de Doria deixar o PSDB.
— Hoje você tem 35 partidos. Então se alguém não consegue legenda, não é o meu caso, eu sou fundador do PSDB, sou a sétima assinatura. Mas se alguém não consegue legenda, ele pula para outro partido. Qual partido não quer ter alguém que seja candidato a presidente? No mínimo elege deputado, ajuda em voto de legenda — avaliou.
Apesar da disputa interna entre os dois tucanos, Alckmin mostrou-se otimista e disse que acredita que um só pré-candidato haverá até dezembro.
— Mas caso tenhamos mais de um, o que deve fazer um partido? Ampliar a ausculta. Ao invés de decidir numa convenção, ele deve ouvir o partido — disse Alckmin, sugerindo uma consulta mais ampla do que apenas os delegados do partido.
Alckmin falou, pela primeira vez, o que pensa sobre privatizações na esfera federal desde que apresentou sua pré-candidatura. O governador disse que não concorda com uma venda do Banco do Brasil, como propõe Doria, mas não apresentou vetos a uma privatização da Petrobras.
— Acho que não deve privatizar o Banco do Brasil. O Brasil tem 150 estatais, vai começar pelo Banco do Brasil? Tem que fechar a estatal da TV do Lula, do trem bala... a (privatização da) Petrobras pode ser. Mas tem que estudar.
O tucano também rebateu a sua fama de conservador.
— Se conservadorismo é manter as coisas como estão, vou ser revolucionário.
Para terminar a entrevista, foi pedido a Alckmin que escolhesse uma música para encerrar o programa.
— Vou escolher 'Esse cara sou eu', do Roberto Carlos.

