SÃO PAULO - Embora tenha anunciado que deixaria a defesa de Michel Temer, o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira continua na linha de frente como um dos principais conselheiros do presidente. Há uma semana, Mariz alegou que deixaria o caso por já ter atuado como defensor de Lúcio Funado, operador de propinas do PMDB que denunciou Temer e políticos da cúpula do partido.
Nesta sexta-feira, no entanto, Mariz esteve na casa de Temer, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, e chegou a acenar para o presidente ao deixar a residência.
Também nesta sexta, Michel Temer se reuniu com advogados na capital paulista, segundo informação passada ao GLOBO por uma fonte ligada ao Palácio do Planalto. Apesar disso, a agenda oficial de Temer diz que ele está em Brasília trabalhando em "despachos internos", desde às 9h.
Oficialmente, o advogado Eduardo Pizarro Carnelós assumiu a defesa do presidente em substituição a Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. A viagem de Temer a São Paulo tem como objetivo tratar da estratégia de defesa frente à segunda denúncia oferecida contra ele pela Procuradoria-Geral da República.
Por telefone, uma funcionária do escritório Carnelos e Garcia Advogados informou que não tem autorização para dar qualquer detalhe sobre a relação de Eduardo Carnelos com clientes.
Temer foi denunciado há duas semanas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça. Após passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a denúncia deverá ser aprovada por 342 dos 513 parlamentares da Casa para que seja investigada pelo Supremo.
Nesta quinta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a votação deverá acontecer até o dia 23 de outubro.
Se pelo menos dois terços dos deputados votarem pelo prosseguimento da denúncia (342 deputados), o STF poderá autorizar a instauração de um processo. Então, os 11 ministros do Supremo votarão para decidir se Temer vira réu e, caso isso ocorra, o presidente será afastado do cargo por 180 dias.

