Início Brasil Publicitário acusado de intermediar propina a Bendini informou viagem a Moro ontem
Brasil

Publicitário acusado de intermediar propina a Bendini informou viagem a Moro ontem

Envie
Envie

SÃO PAULO. Preso no aeroporto nesta quinta-feira, o publicitário André Gustavo Vieira da Silva, da Arcos Propaganda, havia informado ontem ao juiz Sergio Moro que iria viajar para Portugal e ficaria fora do Brasil entre 27 de julho e 5 de agosto. Na petição, os advogados disseram que ele estava à disposição da Justiça e da autoridade policial quando retornasse da viagem. O bilhete indica que ele viajaria pela TAP, num voo que decolaria do aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília.

André Vieira teria servido como intermediário do ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendini, para pedir propina à Odebrecht Ambiental e foi delatado pelo empresário Marcelo Odebrecht e por um dos executivos do grupo, Fernando Reis. Ele teria feito insistentes abordagens apresentando-se como interlocutor de Bendini na liberação de financiamento do banco. Acabou recebendo três parcelas de R$ 1 milhão pagas pelo departamento de propina da empresa.

A propina foi negociada quando a Odebrecht Ambiental discutia o alongamento do prazo de pagamento de uma dívida de R$ 1,7 bilhão com o Bando do Brasil e pleiteava um novo empréstimo de R$ 1,2 bilhão. O pedido teria sido analisado e aprovado pelas áreas técnicas do banco durante o primeiro semestre de 2014,. Foi então que André Vieira entrou em ação e pediu R$ 17 milhões para liberação do dinheiro - o correspondente a 1% do total, segundo relato do executivo da Odebrecht.

A princípio, Marcelo Odebrecht teria resistido ao que classificou de "achaque". Em fevereiro de 2015, Bendini saiu do Banco do Brasil e assumiu a presidência da Petrobras. Vieira teria mantido a cobrança da taxa de 1% e deixava claro, segundo Fernando Reis, que Bendini poderia prejudicar os negócios do grupo com a estatal.

Em maio de 2015, Marcelo Odebrecht e Fernando Reis teriam ido à casa de André Gustavo em Brasília, onde se encontrariam com Bendini. Pouco antes, o publicitário teria dito ao executivo da Odebrecht que Bendini mencionaria o contrato fechado pela empresa com o Banco do Brasil e que esta seria a "senha" de cobrança da propina. O empresário disse que Bendini de fato mencionou o contrato, inclusive num momento totalmente fora do contexto da conversa, o que deixou claro que ele queria indicar que aquela era a "senha" mencionada por seu interlocutor.

Siga-nos no

Google News