BRASÍLIA - Agora do outro lado, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), adotou o discurso da antiga oposição e passou a defender, nesta segunda-feira, a renúncia do presidente Michel Temer, alegando que ele perdeu as condições de governar depois do caso Geddel Vieira Lima. Líderes do PT e do PCdoB protocolam hoje na Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação de Temer por eventual prática de crime de responsabilidade, o que poderia sustentar um pedido de impeachment nos moldes do aprovado contra a ex-presidente Dilma Rousseff.
O líder petista disse que o pedido de renúncia não é contraditório, porque ainda que haja processo de impeachment, sua conclusão só aconteceria no ano que vem e uma consequente eleição indireta do presidente da República pelo atual Congresso.
— Se o presidente Michel Temer tivesse a grandeza de renunciar teríamos eleições diretas no ano que vem — apelou Humberto Costa .
O líder petista argumentou que se um presidente da República no exercício do mandato participa de forma clara e direta num processo em que há disputa de interesse privados e participa defendendo esses interesses, perde a condição republicana de continuar representando o país.
Mais cautelosos que o PSOL, , o PT e PCdoB querem discutir um eventual apoio à ideia depois de discutir com outros partidos da oposição, movimentos sociais e juristas. A oposição e movimentos sociais acusaram os atuais governistas de “golpistas” por apoiar o afastamento de Dilma.
— Temos que discutir se de fato houve o cometimento, como achamos que houve, de um crime de responsabilidade. A partir daí é que vamos discutir o conteúdo dessa peça e também as implicações políticas. Acredito que o pedido de impeachment, se acontecer, irá ensejar uma eleição indireta no Congresso, enquanto que uma renúncia daria ao povo brasileiro o direito de escolher o presidente — explicou Humberto Costa.

