SÃO PAULO. A Avenida Paulista foi fechada nos dois sentidos na tarde desta sexta-feira por manifestantes que participam de ato contra as reformas Trabalhista e da Previdência, propostas pelo governo.
O protesto, organizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), concentrou-se em frente ao MASP, Museu de Arte de São Paulo, e também pede o impeachment do presidente Michel Temer, além da realização de eleições diretas.
Milhares de pessoas participaram do ato, mas não há estimativa de público feita pela Polícia Militar ou pelos organizadores.
O ato faz parte de paralisações e
Em São Paulo, onde houve manifestações nos aeroportos de manhã, o transporte público funcionando normalmente. Mas a greve afetou quem precisava dos bancos. As agências fechadas, com faixas indicando a paralisação, assustaram a comerciante Dora Mercedes. Lojista, ela precisava sacar uma quantia de dinheiro maior que a permitida pelos caixas eletrônicos e aproveitou o horário do almoço para procurar um banco aberto nos arredores da avenida Paulista.
— Me informaram que o caixa do bairro estava aberto, mas não disseram qual bairro. Agora vou ter que andar até o outro lado da avenida para ver se acho algo aberto — lamentou.
Ao ver a placa sinalizando a greve dos bancos, também na Paulista, a gerente fiscal Marli Ruiz reclamou em voz alta:
— Isso é uma palhaçada.
Marli também não sabia da adesão dos bancos à greve. Irritada, ela contou que precisava resolver “uma questão urgente” com sua gerente antes que o mês virasse. Com a agência fechada, cogitou procurar pelo atendimento online para ver se solucionava sua questão ainda na sexta-feira.
O sentimento de quem se sente prejudicado não acompanhou apenas aqueles que precisavam dos serviços bancários em dia de greve. Entre os manifestantes do MTST que marcharam até o aeroporto de Guarulhos, na manhã de sexta, estava a diarista Adriana Rocha, acompanhada do filho Nicolas, de apenas oito anos. As reformas trabalhista e previdenciária ficaram em segundo plano enquanto a diarista, que comparecia pela primeira vez a uma manifestação, relatava o principal motivo pelo qual protestava contra o governo de Michel Temer: a falta de medicamentos gratuitos para o filho, que sofre com problemas renais desde os três anos de idade.
— Desde que esse governo entrou nós não conseguimos mais os remédios para ele. Eu preciso comprar tudo.
Segundo Adriana, os medicamentos que eram fornecidos gratuitamente nos postos de saúde de Guarulhos estão em falta desde o início do ano. Ela acusou uma piora no atendimento público de saúde ao relatar uma situação sofrida na última semana:
— Ele teve uma crise outro dia durante a madrugada e o hospital (Ambulatório da Criança, de Guarulhos) estava fechado. Entrei em desespero, ele estava todo inchado. Tive de levá-lo em São Paulo, no hospital das Clínicas.

