A maioria dos profissionais de saúde que atende pacientes com covid-19 em todo o mundo é formada por mulheres.
Elas representam pouco menos da metade dos médicos, 46%, 85% das equipes de enfermagem e 85% dos cuidadores de idosos.
Para a diretora da Organização Panamericana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, as mulheres estão no coração da pandemia.
“Elas estão trabalhando e, ao mesmo tempo, estão cuidando de suas casas, suas famílias. Muitas vezes são elas que garantem o sustento das famílias. E também estão na linha de frente dessa pandemia. Na América Latina, nove de cada 10 enfermeiros são mulheres. Isso quer dizer que as mulheres estão no coração da pandemia e muitas delas também foram infectadas, ficaram doentes e também morreram", contou a diretora.
Se algumas mulheres precisam enfrentar o vírus de frente e ainda lidar com jornadas triplas, outras ficaram sem renda. O desemprego é efeito colateral da pandemia que também atinge mais as mulheres. Segundo o Caged, entre junho e novembro do ano passado, período em que a covid-19 parecia perder força, foram abertas mais de 309 mil vagas de trabalho em todo o país para homens.
Para as mulheres o saldo foi negativo. Foram fechadas mais de 82 mil vagas. Entre as negras, o cenário é pior.
Segundo o Dieese, em fevereiro praticamente 20% das mulheres delas estavam desempregadas. Entre as trabalhadoras domésticas, 1 milhão e 600 mil perderam o emprego.



