SÃO PAULO — Desde 1994, o calendário eleitoral e o futebolístico estão conectados. Em todo ano de disputa presidencial, tem Copa do Mundo. Assim, o evento esportivo acabou virando uma boa oportunidade para os presidenciáveis exporem o patriotismo e criarem conexão com o torcedor. Era comum, os candidatos, devidamente uniformizados, convocarem a imprensa para assistir aos jogo ao lado de correligionários.
Mas este ano, talvez traumatizados com o 7 a 1, que eliminou o Brasil em 2014 diante da Alemanha, os pré-candidatos, pelo menos inicialmente, planejam ser discretos em relação ao torneio da Rússia. Claro que um bom desempenho do time do técnico Tite nas primeiras rodadas pode levar a uma reformulação dos planos.
Para o jogo inicial deste domingo contra a Suíça, os políticos estão programando, em geral, ficar em casa ao lado da família. Há até quem, por causa da agenda, talvez nem consiga ver partida.
Ciro Gomes (PDT) deve estar no aeroporto na hora do apito inicial, viajando da Paraíba para São Paulo. Ciro postou na sexta-feira um vídeo nas redes sociais em que diz que torcerá para o Brasil na Copa, apesar de, segundo suas palavras, a camisa da seleção ter sido usada “para coisa muita desonesta”. O presidenciável do PDT ser referia às manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em 2015, a camisa da seleção foi adotada pelos que pediam a saída da petista do poder.
Já o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro, pretende acompanhar o duelo em sua casa no Rio, na companhia da mulher e dos filhos, os também políticos Eduardo, deputado federal como o pai, Flávio, deputado estadual, e Carlos, vereador na capital fluminense, além da filha Laura.
O pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, vai acompanhar o primeiro jogo do Brasil na Copa da Rússia com a família em casa, em São Paulo. A campanha do tucano informou que ele não terá agenda externa no domingo.
A pré-candidata da Rede, Marina Silva, vai assistir à partida de sua casa no Lago Norte, em Brasília, junto com sua família. O partido, no entanto, deve ter um evento diferente para a estreia da seleção: um de seus filiados, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, deve fazer uma transmissão ao vivo nas redes sociais do partido com comentários sobre a atuação do escrete contra a Suíça. A sigla avalia a possibilidade de Marina participar eventualmente dessa transmissão com Bandeira de Mello.
Preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Lula, pré-candidato do PT, deve ver o jogo sozinho, já que não há visitas aos domingos. A TVT, ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, anunciou que Lula enviará diariamente comentários por escrito sobre as partidas da Copa, que serão lidos no ar.

