Com previsão de abrir 16 ruas e avenidas e ter entre 10 mil e 12 mil moradores, o Jardim das Perdizes será o maior condomínio fechado já construído na capital paulista. O maior hoje é o Portal dos Bandeirantes, em Pirituba, na zona oeste, que tem 27 torres e cerca de 7 mil moradores.
O novo residencial vai manter aberto à população um parque de 30 mil metros quadrados com ciclovia, também como contrapartida pelo impacto causado na região. O minibairro também terá duas torres de uso comercial e pista de cooper.
A autorização para a entrada do Jardim das Perdizes na Operação Urbana Água Branca foi publicada sábado no Diário Oficial da Cidade. O condomínio ficará em uma área equivalente ao tamanho de 30 campos de futra ebol. Além da Tecnisa, construtora responsável pelo megaempreendimento, integram o negócio as empresas PDG e BV Empreendimentos.
As companhias não divulgam o total do investimento no megacondomínio, mas o Valor Geral de Vendas (VGV) do empreendimento foi calculado em R$ 4 bilhões. O terreno foi comprado da Telefônica, em 2007, por R$ 133 milhões. Antes, era sede do clube da Telesp.
A aprovação de minibairros com apartamentos e escritórios na capital é defendida pelo Secovi (sindicato da habitação) como forma de agregar emprego e moradia em um mesmo espaço. A possibilidade de as construtoras erguerem condomínios como esse será discutida no novo Plano Diretor, previsto para chegar à Câmara Municipal na sexta-feira.
Com a venda de Cepacs apenas para o Jardim das Perdizes, a Prefeitura vai arrecadar 40% de tudo o que entrou no caixa da Operação Urbana Água Branca desde 1995. Outros três empreendimentos aprovados no sábado vão gerar mais R$ 40 milhões à operação. O governo ainda quer revisar essa legislação para atrair mais 60 mil moradores no eixo Lapa-Barra Funda, com a liberação de novos empreendimentos na região.
Congestionamento
Para a Associação Amigos da Vila Pompeia, o Jardim das Perdizes vai estrangular ainda mais o trânsito no Viaduto Pompeia.
"O problema é o volume de carros que será lançado no viário do bairro. O canteiro do meio do condomínio foi seccionado para facilitar a saída dos moradores pelo viaduto, que vai ter um novo semáforo. O trânsito da Avenida Pompeia vai sofrer uma interrupção só para os carros desses moradores entrarem", critica a advogada Maria Antonieta Lima e Silva, presidente da Associação Amigos da Vila Pompeia.
De acordo com a advogada, os moradores da região querem que os recursos arrecadados sejam investidos em melhorias no bairro. "Só que a revisão da lei que está em curso na Câmara permite que esses recursos arrecadados sejam investidos em outros bairros, como na Freguesia do Ó. Isso não é justo."
A Prefeitura informou que os recursos arrecadados com a venda de Cepacs para o Jardim das Perdizes serão aplicados em sua totalidade na região da Operação Urbana Água Branca, que está em vigor desde 1995, em obras antienchente e melhorias no viário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

