Um prefeito e cinco vereadores eleitos em 2024 figuram na lista suja do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho. Os políticos são associados a empresas autuadas por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão, incluindo falta de água potável, jornadas exaustivas e alojamentos precários. Entre 2021 e 2023, 149 pessoas foram resgatadas em operações relacionadas a esses casos.
Apesar das autuações, a presença na lista não impede o exercício dos cargos públicos. Segundo a Lei da Ficha Limpa, apenas condenações definitivas inviabilizariam os mandatos. Três dos políticos autuados ainda não pagaram as multas e estão inscritos na dívida ativa da União. Especialistas ressaltam a importância da transparência, mas apontam contradições na ocupação de cargos por infratores dessas práticas.
Destaques das operações incluem o prefeito Marcus Rinco (União), de Alto Paraíso de Goiás, dono de uma carvoaria autuada por graves irregularidades, e o vereador Eduardo Lima (PSB), do Ceará, cuja fazenda empregava menores de idade e mantinha trabalhadores sem saneamento básico. Na lista também estão inclusos os vereadores os vereadores Fernando Morandi (PSB), de Porto Vitória (PR); Fabiano (MDB), de Vera Mendes (PI); Manoel Nascimento (Republicanos), de Amarante (PI); e Gilvan Macedo (Avante), de Ipirá (BA). Todos negaram irregularidades e alegaram ter corrigido as condições apontadas.
Os relatos dos trabalhadores resgatados detalham situações de extrema precariedade. Em um dos casos, funcionários dormiam em barracos de lona e improvisavam fogões para cozinhar. Outro caso registrou exposição a substâncias tóxicas na produção de carvão, resultando em doenças graves como leptospirose.

