"O principal suspeito era amigo da vítima, então havia uma relação de muita confiança. A vítima comprou uma empresa e colocou no nome dos dois, que se tornaram sócios", conta a delegada responsável pelo caso, Marcela Brito. "A vítima tem 70 anos, ele era uma pessoa humilde, sem conhecimento de administração de empresas, enquanto o suspeito tem 37 anos, e tomou a frente do negócio".
"O contrato era um 'contrato de gaveta', não foi levado a registro na junta comercial, e posteriormente o suspeito alterou o contrato e colocou a empresa no nome dele e de sua esposa da época, e então levou para registro", diz Brito. Atualmente, o suspeito é o único sócio da empresa, após - ainda segundo a polícia - ter falsificado a assinatura da ex-esposa e transferindo as cotas dela para o nome dele.
Além do ex-sócio e sua ex-esposa, a polícia suspeita que também estão envolvidos o contador e a atual mulher do dono da empresa. Os quatro são investigados por associação criminosa, apropriação indébita de bem de idoso, falsificação de documento público e estelionato contra a administração pública por conta de um contrato de prestação de serviços da empresa com a prefeitura de Viamão. "Acreditamos que a prefeitura não tenha conhecimento da invalidade da constituição dessa empresa", explica a delegada.
A vítima alega à polícia, ainda, que o suspeito tinha retinha seus documentos e tinha as senhas de seus cartões e contas bancárias, tendo se apropriado de todo o valor que possuía para além do que foi investido na empresa. O idoso afirma, também aos policiais, que precisava pedir dinheiro para o ex-sócio, e que o suspeito dizia que pagaria um salário da empresa comprada pela vítima, mas que os pagamentos não foram cumpridos.
Segunda a polícia, o suspeito comprou mais duas empresas, que estão no nome de sua atual esposa. A investigação solicitou quebra de sigilo bancário e procura descobrir se essas empresas foram adquiridas com o dinheiro do idoso.
A operação foi deflagrada no dia 7 de abril deste ano, quando a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na empresa e na residência dos investigados. O ex-sócio foi preso devido ao porte ilegal de arma de fogo.



